terça-feira, fevereiro 17, 2026

COOPTAÇÕES E TRAIÇÕES POLÍTICAS MARCAM A RADIOFONIA IPUENSE

A política partidária ipuense segue fortemente atrelada ao Rádio como meio de identificação e mobilização das lideranças eleitorais do município. Desde a fundação das pioneiras emissoras, Iracema em 1989 e a Regional em 1991, a agenda partidária de Ipu é ditada pelo rádio com seus âncoras nos programas políticos diários. Para uma gama de lideranças experientes, as históricas vitórias de grupos de oposição em 19922000, 2004, 2008, 2012 e 2024, sempre tiveram nos programas radiofônicos um fator alavancador do seu sucesso nas urnas em meio a desconstrução dos seus oposicionistas. 

Mesmo com o advento da internet e das redes sociais - as quais se tornaram aliados estratégicos dos comunicadores - o rádio segue fortemente plasmado e arregimentador na cultura política ipuense. 

E essa peculiaridade da Terra de Iracema ganhou cenas fortes nos últimos meses com cooptações bombásticas de comunicadores da linha de frente de ambas as alas políticas. Essas mudanças de microfone são consideradas por muitos correligionários, tanto de situação e/ou oposição, como “traições” políticas irreparáveis aos olhares de quem sempre os via com uma forte identidade historicamente metamorfoseada com o eleitorado dos grupos políticos que por anos defenderam. Já para os chefes políticos das alas de situação e oposição que se aproveitam da vulnerabilidade financeira da maior partes destes, tudo é uma jogada no xadrez político local buscando o enfraquecimento e descaracterização da comunicação do opositor. 

ROGÉRIO PALHANO E O FIM DA LEALDADE "Preta, four e bate" COM OS RUFINOS


Após treze anos defendendo o clã Rufino e sendo beneficiado com cargos e jurando fidelidade incontestável ao ex-prefeito Sérgio Rufino, o radialista e blogueiro Rogério Palhano aderiu ao grupo situacionista da prefeita Milena Damasceno. Com inimizades dentro do próprio grupo em que estava, Palhano é conhecido profissionalmente como egocêntrico e desagregador. 

Sua adesão foi curiosamente comemorada pelos apoiadores e vereadores dos Rufinos e vista com desconfiança por muitos eleitores praianos que ouviram logo ao longo do ano de 2025, Rogério fazendo duros ataques à prefeita Milena e ao seu marido e líder político Lindbergh Martins na FM Liberdade comandada pelos Rufinos. Ainda no percurso do primeiro ano da gestão, os edis do grupo praia usaram a tribuna da Câmara Municipal para defender a Prefeita dos ataques de Rogério, chamando-o de "palhaço" e de "ladrão" ao fazer referência a uma condenação por peculato na comarca de Ipu (veja matéria aqui). 

Em novembro, quando ele mesmo teve que oficializar sua cooptação, o radialista não foi exaltado pelos vereadores praianos e muito menos pela imprensa radiofônica, então encabeçada pelo comunicador Hélio Lopes. 

Qual o valor da adesão de Palhano? O mesmo diz em sua rádio web que barganhou empregos para familiares e insinua que agora é “conselheiro” da gestão municipal. Deixar o clã Rufino sem vantagens, isso não é seu modo de agir como assim já fez em cidades vizinhas (veja matéria aqui). 

Em busca de espaço, a desconfiança com ele segue forte dentro dos corredores da prefeitura, apesar da aparente receptiva acolhida da gestora ipuense com seu marido. Não há identidade e afetividade entre Rogério e a grande maioria dos 14.519 votos que deram "não" os doze anos de Rufino no comando de Ipu. Estes agora vitoriosos eleitores têm na sua voz a ojeriza de quem tanto repudiou-os e os atacou de maneira agressiva por mais de doze anos. 


HÉLIO LOPES: A NEGOCIAÇÃO, O TEATRO, O DESCOMPASSO E A DECEPÇÃO


Terça-feira, 03 de fevereiro, 13h. No microfone da FM Cidade de Ipu, iniciando aquela que seria sua última apresentação a frente do histórico programa Fatos em Debate (FD), o radialista Hélio Lopes anunciou sua saída do Grupo da Praia, ou seja, seu desligamento do apoio político a prefeita Milena Damasceno. Em um tom emotivo fazendo alusão ao que já sofrera sendo o porta-voz do grupo político nos últimos anos, Hélio alegava que estava, naquele momento, sofrendo uma traição do marido da prefeita, Lindbergh Martins, o qual concedia entrevista em uma Rádio Web ao seu desafeto-mor, Rogério Palhano. 

Pegando também de surpresa seus escudeiros companheiros de bancada, Edivani Lopes e Francisco José, o âncora do FD relatou o histórico de confrontos políticos com Palhano insinuando que o episódio da entrevista era o motivo maior da sua saída do grupo vitorioso em 2024. "Eu não tenho nem pra onde ir!", disse ele insinunado que estaria a partir de então sem emissora para trabalhar. Puro teatro de Hélio Lopes. Logo na sexta-feira, 06, a verdade dos fatos veio à tona. 

Embora seja inegável que a cooptação do seu histórico oponente Rogério Palhano, em meados de novembro, nunca fora digerida por ele por completo, na verdade, Hélio já estava há um bom tempo sendo assediado pela oposição. Sérgio Rufino queria golpear com força o grupo situacionista o qual estava desidratando suas bases com constantes adesões. Após o mês de novembro, os três arqui-inimigos políticos de Lindbergh e Milena, ou seja, Sérgio Rufino, Ronilson Oliveira (prefeito de Croatá) e Romeu Aldgueri (Presidente da Assembleia Legislativa), se uniram e aumentaram as negociações que foram cada vez mais ficando alinhadas e acertadas. Só faltava o momento certo, e este veio naquela terça-feira (03). 

Retomando à sexta-feira (06), o comunicador foi oficialmente anunciado como o novo radialista do grupo Rufino após uma reunião em Fortaleza e com estréia programada para a segunda-feira, 09/02, no horário das 12h na FM Liberdade.

Diferente de outros radialistas que mudam constantemente de lado partidário, a atitude de Hélio Lopes foi algo extremamente decepcionante para o eleitor raiz, o qual em tese é remanescente da ala Zezé Carlos, de onde ele se originou como porta-voz dos mesmos desde as eleições municipais do ano 2000. O agora ex-FD sempre fora visto como alguém incorruptível e fiel em meio aos momentos de dificuldades e derrotas que o grupo político que agora denominamos de Praia passou. 

Cidadão bem quisto e bem articulado em vários setores da sociedade ipuense que vão do esporte ao meio religioso, inclusive com a influente Maçonaria da qual é um membro da linha de frente, Lopes deixa para trás uma história de identidade política construída em mais de três décadas de onde também fez sólidas amizades regadas ao partidarismo político.

Os ouvintes do FD se sentem traídos e órfãos, ao mesmo tempo que se solidarizam com os companheiros de bancada, Edivani e Chico Zé, que seguem fiéis na continuidade do programa e na defesa da gestão municipal. Lembramos que Hélio sequer pediu a opinião deles, certamente temendo que houvesse uma resistência dos mesmos a essa reviravolta bombástica sem precedentes. 

Para pessoas próximas, o agora defensor da Família Rufino alega que não estava sendo valorizado financeiramente pelo Grupo Praia com seus líderes, com pontualidade de pagamentos e até um pedido de emprego para um familiar. Já para este blogueiro, a realidade é que Hélio se desconstruiu partidariamente e, principalmente, cansou de ser diferente e preferiu se igualar aos Rogérios Palhanos que existem no rádio interiorano. 

domingo, fevereiro 01, 2026

GADYEL SERÁ OFICIALIZADO COMO PRÉ-CANDIDATO DO GRUPO PRAIA NESTA QUARTA (04/02)

Faltando praticamente oito meses para as eleições de 2026, o grupo político da Praia, representado pela prefeita Milena Damasceno (PT) e pela sua vice Arlete Mauricéia (PSD), dará início à sua caminhada partidária nesta quarta-feira, 04/02, por meio de uma reunião com vereadores, suplentes e lideranças políticas. Na ocasião, a prefeita petista e seu marido, o líder político Lindbergh Martins, devem alinhar a militância política no tocante às eleições parlamentares e governamentais que acontecerão em 4 de outubro. Gadyel Gonçalves (PT), pré-candidato a Deputado Estadual, estará presente no evento



segunda-feira, janeiro 19, 2026

PORQUE ELMANO É O CANDIDATO PREFERIDO DA OPOSIÇÃO

Cada eleição tem seu contexto e suas variáveis. Nessa de 2026, pairam dúvidas sobre a competitividade do governador Elmano de Freitas (PT) em sua tentativa de reeleição. Em 2022, sua eleição ao Abolição foi puxada pela “onda Lula” e pelo bem avaliado governador Camilo Santana (PT). A vitória logo no primeiro turno nunca foi um mérito seu e sim dos puxadores de votos, Lula e Camilo, em um Nordeste onde o “13” do PT veio como um antídoto sem alternativas contra o Bolsonarismo.  

FRACASSOS ELEITORAIS

Elmano vinha de duas derrotas eleitorais: uma na disputa da Prefeitura de Fortaleza em 2012 como candidato governista (apoiado pela então prefeita Luizianne Lins), sendo vencido por Roberto Cláudio no segundo turno. A outra derrota foi em 2020, quando, de maneira negativamente fragorosa, ficou em um discreto quarto lugar ao disputar a prefeitura da metropolitana Caucaia. Quando seu nome emergiu, sobretudo por ser um petista raiz avalizado por Lula, ainda havia uma desconfiança forte, pois os candidatos Roberto Cláudio e Capitão Wagner lideravam inicialmente com folga as pesquisas eleitorais.

SISUDO E NA DEFENSIVA

O chefe do executivo cearense tem um layout sisudo de advogado de acusação. Seus pronunciamentos sempre estão em um tom defensivo. Freitas não consegue ter uma luz própria, pois ainda é visto como um “gerente” do governo Camilo Santana, que extraoficialmente não terminou. 

 O GARGALO DA VIOLÊNCIA

Passados quase quatro anos de mandato e apesar dos grandes investimentos em segurança pública, o governo Elmano não conseguiu tirar o Ceará do mapa da violência do país em meio à guerra entre as facções que continua trazendo um quadro de ineficiência ao governo petista. Os números da violência certamente serão um ponto negativo para ele nos embates com seus adversários.   

O FATOR CIRO

Até meados de 2024, Elmano caminhava para uma tentativa de reeleição tranquila. Apesar do fortalecimento do eleitorado de direita em Fortaleza com a quase vitória do jovem André Fernandes (PL) na disputa da prefeitura, o governador não visualizava alguém que pudesse disputar com ele e com a máquina pública do estado em 2026. André, por exemplo, que não tem a idade mínima de 30 anos, não seria candidato. 

Daí surgiu o ex-governador Ciro Gomes com seu poder de competitividade e de reparação eleitoral do povo cearense que nunca o viu como presidente em suas tentativas. Ciro se movimenta e faz a peça do tabuleiro ficar um solo pantanoso para Elmano e sua “iminência parda” e secretário, Chagas Viera. 

SINAL AMARELO

Com pesquisas para consumo interno nas mãos, o comando nacional do PT, que não quer correr o risco de perder um dos quatro estados que governa no país – lembrando que na Bahia e em Sergipe o cenário para a reeleição dos governadores petistas está nebuloso –, não descarta a possibilidade de “sacar” Elmano e colocar o Ministro Camilo Santana como candidato. Nessas negociações, certamente o hoje governador teria uma saída honrosa como candidato ao Senado.

Kleber Teixeira Santos (Blog do KT)

domingo, janeiro 18, 2026

GOMES FARIAS É AGRACIADO PELA AILCA COM A COMENDA 14 DE JANEIRO

Tive o prazer de ser o cerimonialista em nossa arcádia cultural na noite da última sexta-feira, 16/01, ocasião em que o radialista ipuense Raimundo Gomes Farias recebeu a Comenda 14 de Janeiro. Além de sua carreira no rádio, Gomes Farias teve passagem pela política, exercendo o cargo de Deputado Estadual por quatro mandatos consecutivos

A Comenda 14 de Janeiro rememora a fundação da nossa Academia, ocorrida nesta alusiva data no ano de 2006, por iniciativa da Associação dos Filhos e Amigos de Ipu – AFAI, com a finalidade de promover a cultura e o bem-estar social.

Também tivemos nessa noite festiva o lançamento da XVI Revista Acadêmica, a qual apresenta resenhas, artigos poesias e contos sobre a Terra de Iracema. 

Agradeço a nossa presidente da AILCA, Maria Silonildes de Mesquita, pela honrosa tarefe de estar à frente desse histórico cerimonial em meio a uma intensa semana cultural da Academia nesse janeiro de 2026. 

Fotos:IPUNOTÍCIAS

sexta-feira, janeiro 16, 2026

QUAL É O MAIOR OBSTÁCULO ÀS PRETENSÕES POLÍTICAS DE RONILSON EM IPU?

O ipuense e prefeito reeleito de Croatá, Ronilson Oliveira (PT), colocou “fogo no parquinho” da política ipuense. Em entrevista ontem (15/01/2026), para a Rádio Vox FM de Ipueiras, o gestor atacou - sem citar o nome - Lindbergh Martins, o qual é o líder político do grupo da Praia e marido da prefeita de Ipu, Milena Damasceno (PT), e, de maneira polêmica, disse que sabe até de traições que o grupo de situação sofrerá no Legislativo local no "momento certo". 

Essa não é a primeira vez que Ronilson vai ao rádio fazer críticas à atual gestão municipal de Ipu. Porém, dessa vez, ele foi mais incisivo politicamente e duro em suas colocações com críticas mais específicas a gestão municipal, porém algo chamou atenção no aspecto político: a oficialização do seu reatamento político com o ex-prefeito de Ipu, Sérgio Rufino (PSB), haja vista que Oliveira não lhe deu apoio nas eleições de 2024.

Em dado momento da sabatina na FM, Ronilson fez rasgados elogios a Sérgio Rufino como líder político e prefeito de Ipu. E dando a entender que já está planejando a sucessão de 2028, disse que Rufino até falou de maneira “democrática” que fará uma pesquisa e quem estiver melhor será o candidato do grupo de oposição.

DE OLHO NA PREFEITURA DE IPU. 

Empoderado politicamente e bem avaliado em Croatá, Ronilson, mesmo ainda de maneira muito precoce, demarca território e se coloca como um possível “candidato” (no caso, indicaria a esposa) da oposição em 2028. O que o encoraja? Visitas e afagos de eleitores de oposição cansados dos Rufinos e de situação com alguma insatisfação com a administração da prefeita petista Minela.

DISPUTA POR ESPAÇO

Mas Ronilson parece ainda não entender que dificilmente Sérgio Rufino irá lhe passar o bastão político, mesmo que esteja desgastado em pesquisas ou até mesmo inelegível. Rufino é um político focado e obcecado em retomar o comando de Ipu após a amarga derrota de 2024 quando tinha a máquina pública na mão. Muito presente na cidade, controlando a presidência e a bancada majoritária, "o G7", da Câmara Municipal, ele segue muito vivo na política partidária local. Portanto, Sérgio monopoliza a oposição de Ipu.

Logicamente que o "homem do bigode" também não quer ver Ronilson crescer politicamente em Ipu ao ponto de lhe ameaçar. Quanto mais ele estiver relativamente ofuscado, melhor. Sua imprensa e seus ativistas em redes sociais, por exemplo, são estimulados a dar repercussão a ele, somente quando ele "bater" na gestão da Praia ou no líder político Lindbergh Martins. Fora desse contexto, apesar das fotografias em tom de amizade, existe uma marcação colada nessa competição por espaço de liderança na oposição. 

DUPLA TAREFA

Diferentemente de Croatá, quando em 2020 o então prefeito Antônio Onofre, lhe passou pavimentado o comando político e lhe indicou como seu sucessor, o cenário ipuense lhe é mais hostil. Ou seja, para ter um projeto de poder em Ipu ao seu comando, Ronilson Oliveira precisa não apenas enfraquecer o grupo da Praia, mas também tirar os Rufinos da cena política o que certamente será a tarefa mais árdua.

TERCEIRA VIA E A BOLHA BIPARTIDÁRIA

Nunca na História política do Ipu a bolha do bipartidarismo foi quebrada, embora para tudo haja uma primeira vez. Só percebo uma saída para Ronilson um dia vingar politicamente em Ipu: minar certeiramente os grupos de oposição e situação ao mesmo tempo e germinar uma onda de preferência eleitoral nos diversos segmentos da sociedade com um projeto que encante o eleitor ipuense. Se não for assim, é esperar por um imprevisível 2032, contando com a sorte de um cenário favorável, o que não é garantido. 

quarta-feira, janeiro 14, 2026

MUDANÇAS NO LEGISLATIVO IPUENSE E O RUÍDO DAS CADEIRAS NA GESTÃO DA PRAIA

Nitidamente, a gestão da prefeita Milena Damasceno (PT) passa por uma fase de ajustes administrativos e políticos. A começar e não muito diferente de várias gestões anteriores, tivemos publicações de portarias do dia 1º de dezembro de 2025 que promoveram uma exoneração em massa de centenas de funcionários temporários e de ocupantes de cargos comissionados. Certamente uma ação para “enxugar a folha” e entrar com as finanças em equilíbrio no ano de 2026.

DANÇA DAS CADEIRAS

De acordo com a página oficial da Prefeitura Municipal de Ipu, janeiro está sendo marcado por uma verdadeira “dança das cadeiras” em uma parte do secretariado e nos adjuntos das suas pastas, embora a maioria dos secretários siga estavelmente em suas funções. Essas mudanças o Blog irá analisar em breve em uma nova postagem, pois até fevereiro novos "ruídos" podem surgir.

Porém, o ponto mais chamativo está no aspecto político no tocante aos vereadores e suplentes que estariam ocupando suas vagas no legislativo municipal. Vejamos:

MUDANÇAS NA CÂMARA

O vereador Nonato Filho (PT), o qual estava ocupando a pasta de Secretário Adjunto de Saúde, deixa a pasta e retorna ao legislativo. Um outro edil do PT, Hilton Bélem, retorna a sua cadeira no legislativo municipal após ter passado vários meses na função de Secretário Adjunto de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico da Prefeitura. Percebe-se pelos últimos decretos da prefeita Milena, que os dois parlamentares foram até nomeados para o comando de novas funções desafiadoras nos primeiros escalões (Direção do Hospital e Autarquia do Trânsito), mas acabaram por declinar. Certamente Nonato Filho e Hilton Belém devem ter calculado que na Câmara eles têm menos “abacaxis para descascar” e que ao retornarem estarão mais perto do seu eleitorado.

Confirmado retorno, Ana Júlia e Elias Guilherme, suplentes do PT que estavam nas vagas, deixam o legislativo. O sociólogo Elias Guilherme passa a ser agora secretário adjunto da pasta da Assistência Social e Trabalho, enquanto a advogada Ana Júlia passa a ser a subsecretária de Saúde do município. Já no MDB, o vereador Elisafran Mororó segue na gestão, agora ocupando a Secretaria de Relações Institucionais, continuando sua vaga com a sua suplente e sobrinha Soraya Mororó.

NOMEAÇÕES E RECUOS.

Mas, a julgar pelas movimentações em meio a nomeações, exonerações e renomeações nesse momento da “gestão praia” – o que deixa transparecer uma certa falta de assertividade imediata nas decisões políticas, novas mudanças podem ainda acontecer.

terça-feira, janeiro 13, 2026

PIRES FERREIRA SEGUE COMO O PIOR PIB DO CEARÁ - DE QUEM É A CULPA?

Pires Ferreira, antigo distrito de Ipu que se emancipou em 1988, foi, mais uma vez, destaque negativo em matéria do Diário Nordeste (edição de 12/01/2026), a qual expõe a continuidade de uma triste realidade socioeconômica do município. Entre os 184 municípios cearenses, Pires Ferreira é a cidade com o menor PIB per capita do estado. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pires Ferreira tem apenas 1.018 pessoas ocupando postos de trabalho formais. Cerca de 60% da população tem rendimento mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Além da baixa renda, a cidade enfrenta problemas na infraestrutura. Apenas 1,24% dos domicílios estão ligados a algum sistema de esgotamento sanitário. Os dados, que são de 2023, também refletem que os moradores da cidade têm um menor acesso a bens e serviços.

Quais os gargalos e o que poderia melhorar?

Apesar de um bom desenvolvimento econômico nas últimas décadas no setor da produção ceramista de tijolos na região de Marruás, a cidade é carente de projetos mais ousados como estímulo à pequena e média indústria, artesanato e o foco em uma cultura agrícola extrativista ou que explore o potencial hídrico de grande parte do município banhado pela bacia do Acaraú e pelas águas do Açude Araras.  

Outro ponto adormecido no município é a falta de vocação para o turismo. A cidade fica no sopé da Ibiapaba e possui, sobretudo durante a quadra invernosa, cachoeiras e riachos cristalinos. A Bica do Donato, por exemplo, é uma espécie de área turística carente de infraestrutura.

O município também é marcado por uma única via de acesso pavimentada. A estruturação de uma rodovia CE que interligasse Pires Ferreira à Reriutaba e Ipu, contornando a região ibiapabana, geraria mais condições para o fluxo da produção agrícola e iria dar condições aos projetos turísticos, como aqui citei.

O grupo familiar que controla a cidade poderia ser mais inovador

O professor Marcos Marques, prefeito de Pires Ferreira entre 2005 e 2012, seguido por suas noras que também foram prefeitas, Marfisa Aguiar que foi gestora de 2013 a 2020, e Lívia Muniz, que foi reeleita e tem mandato até 2028, controla politicamente a cidade ao lado dos seus filhos. A Família  Marques, nas campanhas políticas, tem sido alvo de críticas por seus opositores em relação à posição da cidade como uma das mais pobres do estado do Ceará. Caminhando para quase 30 anos no poder, o grupo situacionista nitidamente se encontra numa "zona de conforto administrativo", não trazendo projetos ousados para os piresferreirenses. 

Mas pelo visto, os opositores dos Marques ainda terão a não superação dessa realidade exposta pelos dados governamentais como pauta nos próximos embates eleitorais.