terça-feira, julho 21, 2026

"OLHA O FUMO!" - DE ONDE VEM O TERMO "FUMEIRO" NA CULTURA POLÍTICA IPUENSE?

Nas eleições municipais de 1962, o médico camocinense Francisco Rocha Aguiar tentou quebrar o monopartidarismo de Ipu disputando a eleição para prefeito pelo PSD contra Antônio Pereira de Farias da UDN que era o candidato indicado pelo então gestor municipal Zifirino de Castro.

Após a derrota de Dr. Rocha, seus opositores passaram ironicamente a fazer chacota dos seus eleitores gritando “Olha o Fumo!”, numa alusão ao popular pacote de Fumo Rocha que era muito popular nas cidades camponesas do interior do nordeste. 

Mesmo com as seguidas vitórias que o grupo político do Dr. Rocha Aguiar obteve durante os anos de 1970, a memória do eleitor ipuense passou a generalizar o termo jocoso “Olha o Fumo!”, independente da ala política derrotada ou vitoriosa, como uma espécie de esculacho imprescindível para demeritar os amigos e inimigos derrotados nas urnas com seus candidatos.

A essa expressão, sobretudo com a continuidade da tradicional e acirrada polarização da política da Terra de Iracema, foi incorporado o termo “fumeiro” na cultura popular ipuense para se referir aos eleitores derrotados. 

Portanto, se você está lendo esse texto e não for ipuense, saiba que fumeiro no palavreado da nossa terrinha, tem esse sentido meio brincalhão de sentido político. 

segunda-feira, julho 20, 2026

AS LIMITAÇÕES DA ESPANHA E O ALEATÓRIO DO FUTEBOL QUE LHE FACILITOU O TÍTULO

O futebol é encantador, entre vários outros motivos, por ser um esporte que possibilita a vitória de um time pior sobre um melhor. Mas por que isso acontece? Tenho a minha teoria daquilo que chamo de “fator aleatório”. 

Escrevo aqui um dia após o final da Copa do Mundo de 2026, após observar uma saraivada de elogios à campeã Espanha que venceu a Argentina pelo pobre placar de 1 a 0. Na TV, nas redes sociais, o que se escuta é: “A Espanha dominou toda a partida com sua qualidade de posse de bola”, “Venceu a melhor Seleção. Aquela que quis jogar futebol” e a “Argentina foi anulada pela qualidade tática da Espanha”

Estamos sempre com uma mídia esportiva repleta de "engenheiros de obra pronta", os quais não observam que um jogo de Copa mostra o quanto uma equipe muda (ou expõe limitações) de um confronto para outro. A Espanha que sobrou sobre a encantadora França nas semifinais, mostrou-se na decisão um time questionável. 

ALEATÓRIO I

A “competente” Espanha não conseguiu, com seu elenco que gosta da posse de bola, furar a defesa da “limitada” Argentina. O time de Messi, certamente sabia das suas limitações e jogava nitidamente por uma bola, algo que o time ibérico não permitiu que essa oportunidade acontecesse no tempo normal. Os sul-americanos tinham o plano B (ou seria A, como queira), que era levar a decisão para as cobranças de pênaltis.  

A partida já se encaminhava para a prorrogação quando, numa jogada aleatória, o volante argentino Enzo Fernandes recebeu um segundo amarelo e foi expulso.  Caso não ocorresse esse episódio, os argentinos teriam mais possibilidades de segurar o burocrático e pouco inspirado ataque do apático Lamine Yamal. 

ALEATÓRIO II

E o gol da Espanha saiu! Mas só veio no início do segundo tempo da prorrogação, após 106 minutos de um ataque ineficiente. Mas um detalhe chamou a atenção: o jovem Giuliano Semeone, após subir para o ataque, desistiu de fazer uma marcação simples sobre o atacante Ferran Torres e infantilmente ficou ajeitando os meiões. Se tivesse atento, o gol não aconteceria. 

ALEATÓRIOS III, IV e V

Nos últimos cinco minutos da prorrogação, a “dominadora” Espanha quase via o jogo ir vergonhosamente para as penalidades. Aos 116 minutos, Lionel Messi recebeu de frente com o gol e disparou uma bomba, mas na trajetória da bola estava o rosto do espanhol Merino que foi a nocaute. 

Mostrando superioridade mental em meio a uma Espanha acuada, no ataque seguinte, Messi deu um genial passe para Semeone que cruzou rasteiro para dentro da pequena área para Senesi concluir. O zagueiro Cubarsí, por uma fração de antecipação, tirou para escanteio. 

Praticamente no último minuto, Giuliano Semeone, mais uma vez ele, perdeu um gol em uma batida livre de marcação já quase dentro da pequena área que passou por cima do travessão.

E se um dos aleatórios acima, apenas um deles, ocorressem de maneira diferente e a partida fosse para os pênaltis (independente de quem fosse a campeã), qual seriam as frases dos analistas de "obras prontas"? Uma delas certamente seria: “A Espanha se mostrou uma seleção limitada, sem alma, sem poder de finalização e foi superada pelo poder mental da Argentina”.

A Espanha "que ensinou como se joga", teve o fator sorte (o aleatório) do seu lado para não viver uma frustante não vitória em uma decisão de Copa do Mundo.

quinta-feira, julho 16, 2026

CID, UM "CAVALO-DE-TRÓIA" PARA TORNAR JÚNIOR MANO SENADOR

Acabou o dilema político sobre uma das vagas para senador na chapa governista e, certamente, com o desfecho planejado astutamente por Cid Gomes (PSB). O sobralense Senador, como assim pretendiam os caciques petistas Camilo Santana e Elmano de Freitas, sairá candidato à reeleição à câmara alta do Congresso. 

O plano teórico de Cid em ter como candidato do seu partido o Deputado Federal Júnior Mano (PSB) era, a meu ver, uma inteligente "cortina de fumaça" para poder barganhar, ao final e por meios estratégicos indiretos, uma vaga senatorial para o seu protegido. Cid sabia que a esquerda cearense jamais aceitaria Mano na linha de frente da campanha, um ex-bolsonarista e investigado pela Polícia Federal e STF por desvios de verbas em emendas parlamentares.

Os fins justificaram os meios. 

Dispostos a ter um Ferreira Gomes em sua chapa e palanque para uma tensa eleição governamental contra Ciro Gomes, Elmano e Camilo, ontem, 15 de julho, em Brasília e com as bênçãos do presidente Lula, sacramentaram as pretensões de Cid. O irmão de Ciro sairá como candidato do grupo, mas na condição de ter seu pupilo como primeiro suplente senatorial.

Navegando no poder financeiro e de articulação de Júnior Mano com quase 50 prefeituras cearenses lhe apoiando, Cid Gomes, caso seja eleito, confirmando assim seu favoritismo, deve minimamente dar metade do seu mandato para seu suplente como assim deve ter acordado em Brasília com as lideranças vermelhas. 

quarta-feira, julho 15, 2026

QUANTOS VOTOS GADYEL GONÇALVES PRECISA TER NAS URNAS IPUENSES?

É inegável que o resultado da eleição governamental e parlamentar desse ano servirá de parâmetro para a sucessão municipal ipuense de 2028. Considerando que teoricamente os dois grupos políticos locais - o situacionista Praia e o oposicionista Liberdade – estão apoiando a sucessão do governador Elmano de Freitas, os olhares para uma disputa interna destes se voltam para a votação dos seus Deputados apoiados. 

Um resultado satisfatório servirá de encorajamento e confiança para a militância partidária local em torno de seus líderes políticos. Resultados contrários sempre serão um sinal de alerta para seus líderes. No cenário da política de Ipu, a votação para Deputado Estadual a qual é mais vinculada ao partidarismo local e relativamente diferente da pulverizada votação para Deputado Federal, sempre traz números que merecem ser analisados com vistas à avaliação de preferência do eleitorado e, em especial, ao grau de aceitação da Gestão Municipal em curso. 

Em 2022, o então grupo Liberdade que comandava a prefeitura de Ipu com o prefeito Robério Rufino (PSB) e seu líder e tio Sérgio Rufino (PSB), saiu das urnas com o pior desempenho das suas três eleições para deputado disputadas desde quando passaram a comandar a cidade em 2013. Os Rufinos, com seu grupo Liberdade composto por dez dos treze vereadores da Câmara, tiveram um desempenho discreto de apenas 25%, ou seja, com 5.873 votos dados ao seu candidato a Dep. Estadual Cláudio Pinho. Fazendo um recorte regional, Robério Rufino teve o pior desempenho dos prefeitos da sua região. O sinal amarelo foi aceso para o então grupo de situação, mas suas lideranças, considerando a sua derrota em 2024, não leram corretamente o “recado das urnas”.  (LEIA MATÉRIA AQUI)

E para esse 2026? Vamos lá! A prefeita Milena Damasceno (PT) e o líder político e seu marido Lindbergh Martins têm como candidato oficial à Deputado Estadual Gadyel Gonçalves (PT). Mas, diferentemente do Clã Rufino, que estava parlamentarmente coeso em 2022, o grupo Praia conta apenas com seis vereadores em sua bancada. Curiosamente, com uma postura que causou estranhamento para muitos, Milena e Lindbergh “liberaram” praticamente todos os seus suplentes de vereador para apoiarem o deputado estadual Sérgio Aguiar (PSB). Em outra frente, mas também teoricamente dentro do seu grupo, o ex-prefeito Sávio Pontes, com seu poder de articulação, está pedindo votos para o cirista Tadeu Oliveira (PSDB). Soma-se a isso, também temos o vereador situacionista Elisafran Mororó, que dentro de um acordo muito previamente acertado, deverá trabalhar para o seu companheiro de partido Daniel Oliveira (MDB).

Considerando todo esse cenário de divisões dentro do grupo Praia, então o que esperar da votação de Gadyel em Ipu? 

Já que teremos agora uma projeção de 27 mil votantes, acredito que é imprescindível que se mantenha ou perpasse minimamente uns 20% dos sufrágios do próximo 4 de outubro. Ou seja, o poder da gestão e o carisma da prefeita Milena precisam politicamente de uns 5.500 votos. Caso contrário, e mesmo se querendo somar com “os outros estaduais do grupo”, há que se refletir se a estratégia de campanha foi realmente a correta. 

As urnas sempre deixam os seus recados. 

terça-feira, julho 14, 2026

AS "BENGALAS" E AS "PAVIOLAS" QUE DEVEM LEVAR ELMANO A VENCER CIRO GOMES

Ciro Gomes (PSDB) vem liderando as pesquisas eleitorais desde quando se propôs a ser o candidato de uma composição heterogênea antipetista, incluindo neoaliados direitistas do bolsonarismo que ele tanto combatera nos anos anteriores. A preferência aferida por todos os institutos sempre lhe dá uma boa folga em relação ao governador Elmano de Freitas (PT) que pleiteia a reeleição. 

Apesar de toda a empolgação dos seus apoiadores, sobretudo nas redes sociais com suas bolhas eleitorais, Ciro não conseguiu fazer em sua pré-campanha, em termos de adesões, sangrar o governo, retirando-lhe apoiadores estratégicos. Até o seu irmão, Cid Gomes (PSB), Senador virtualmente candidato à reeleição, não saiu da base governista e manteve o rompimento político familiar iniciado na última eleição governamental. Posto isso, e iniciando a campanha nesse próximo mês de agosto, Ciro não ganhou musculatura orgânica para o jogo jogado que realmente agora começa a acontecer.  O ex-ministro tem um discurso uníssono de combate às facções que têm seus apelos, mas que têm um limite para se vencer uma eleição no Ceará, como já vimos nos pleitos anteriores. 

AS BENGALAS DE ELMANO

Do outro lado, Elmano tem suas limitações carismáticas e é visto como "manco" na política partidária com seu histórico de político com histórico de apadrinhamentos, mas, por outro lado, tem um governo relativamente bem avaliado e herdado de um Camilo Santana (PT) que ainda se mantém vivo na memória eleitoral cearense. Mas existem outras "bengalas" como o próprio Cid Gomes e, principalmente, o Presidente Lula, com seu potencial de reeleição com os apelativos "13 lá, 13 cá", em um estado nordestino de DNA lulista.

AS PAVIOLAS DE ELMANO

Com mais de 90% dos prefeitos, incluindo o da capital cearense, e com mais de 80% dos deputados estaduais e federais, Elmano seguirá carregado por estes até as urnas. Mas também não podemos esquecer que ele é governador e tem também uma outra caneta a seu serviço, a do governo federal que tem o Ceará como um reduto histórico imprescindível.

UMA VITÓRIA COM EMOÇÃO, MAS SEM SUSTOS

Ciro com seu bom tempo de propaganda eleitoral e a sua verborragia encantadora, trará  emoção na campanha e nos debates. Ele certamente terá um bom teto eleitoral nas urnas, devido a simpatia e o sentimento de reparação como  um ex-presidenciável que nunca chegou a um segundo turno.  

Mas a meu ver, as leis da lógica política irão falar mais alto. Ademais, estamos falando de uma eleição com características muito fisiológicas no sentido estrutural, ou seja, onde o rolo-compressor da máquina fará a diferença na hora da decisão final do eleitor, sobretudo interiorano e periférico que, em maior parte, é mais dependente daqueles que controlam o poder. 

domingo, julho 12, 2026

FATOS NOVOS MUDAM A CORRIDA PRESIDENCIAL: BOLSONARISMO SEM PODER DE REAÇÃO

Quando fiz a postagem abaixo, estávamos no início do mês de abril. Naquele momento, Flávio Bolsonaro seguia “jogando parado” e crescendo nas pesquisas ao ponto de todas cravarem um empate técnico com o presidente Lula. O candidato do PT estava nas cordas do ringue em meio ao escândalo do Banco Master que atingia membros do STF e que acabavam por vincular ao governo devido ao bolsonarismo ser compreendido eleitoralmente como anti-Supremo, com seus abusos jurídicos sendo que os Ministros envolvidos em denúncias, Alexandre de Morais e Dias Tófolli, são vistos como defensores do governo por grande parte do eleitor comum. Flávio Bolsonaro, por sua vez, surfava na onda vestindo camisa que dizia: “O Pix é do (Jair) Bolsonaro e o Caso Master é do (governo) Lula!”.

Mas a política nacional pode virar uma gangorra em meio a fatos novos que tragam grande repercussão negativa para alguns dos candidatos competitivos à corrida presidencial. Daí veio a bomba do dia 13 de maio: um áudio vazado no qual Flávio pedia Milhões ao banqueiro Daniel Vorcado do Master em um momento em que o mesmo já era seriamente investigado pela Polícia Federal. Daí então, o Bolsonarismo sangrou.

Volto a escrever aqui faltando menos de noventa dias para as eleições em um cenário já diferente daquilo que eu via no quarto mês desse ano. Reescrevo agora que Lula segue sendo firme e forte como plano único da esquerda brasileira, alimentado pelas contradições e inabilidades políticas dos Bolsonaros. 

Além da vinculação íntima de Flávio com o Daniel do Master, o clã Bolsonaro convive com atritos internos com a madrasta Michele que se vitimitiza como perseguida pelos enteados, o que piora ainda mais a penetração eleitoral da direita com o eleitorado feminino que segue na tendência em não votar no filho ex-presidente Jair Bolsonaro. Já o Lulismo está agora regado, na conta de hoje, por uma economia relativamente estável e a defesa da soberania nacional em meio aos solavancos do “bolsonarista” Donald Trump com suas perseguições econômicas ao Brasil. 

Mas sempre é bom esperar se fatos novos revisitarão o noticiário e as redes sociais e que façam o candidato do PT perder a competitividade ou fazer o candidato do PL se fragilizar. 

Placar de hoje: Lula segue tranquilo e com folga em primeiro lugar, mas a rejeição do governo, sobretudo no sul e sudeste do país e a polarização eleitoral o impedem de uma vitória acachapante logo agora no primeiro turno. 

domingo, abril 05, 2026

AS LIMITAÇÕES DE LULA E O TETO ELEITORAL DA SUA CAMPANHA

Até o período das convenções partidárias, de 20 de julho até 05 de agosto, fatos novos deverão acontecer no cenário político da sucessão presidencial. No PT, Lula, com sua idade avançada - caso eleito, tomará posse com 81 anos de idade, é motivo de preocupação no entorno do governo. As cobranças da idade, a concorrida agenda como chefe da nação e as tensões de uma derrota para um Bolsonaro, naquela que certamente será sua última eleição presidencial, pesam muito para o histórico petista. 

Já não são poucos os caciques petistas que afirmam que o candidato Lula não consegue mais sair do "mais do mesmo". A memória de muitos dos antigos e eventuais eleitores seus está fadigada, incluindo muitos jovens que não cresceram nas mudanças de inclusão nos primeiros governos do agora octogenário presidente. Para estes líderes da sigla vermelha, um candidato "sangue novo" poderia furar a bolha dos mais de 10 milhões de eleitores de centro-direita  que deverão decidir a acirrada e polarizada eleição de outubro de 2026. 

Caso essa ideia de desistência ganhe força, considerando que pesquisas internas devam já estar acontecendo nesse sentido e sinalizem essa viabilidade, os Ministros licenciados, Camilo Santana e Fernando Hadad, liderarão a preferência da indicação que será ungida pelo próprio Lula.