O perfil político pragmático de Sérgio Rufino (PSB) sempre me fez prever com clareza seus movimentos. Após a derrota em 2024 para Milena Damasceno (PT), o ex-prefeito se manteve na política ipuense atuando em duas frentes políticas: a manutenção do grupo majoritário de sete vereadores de oposição à prefeita e na estruturação de um grupo de comunicação via rádio e redes sociais. Ato contínuo e previsível, ele manteve a aliança com o governo Elmano de Freitas (PT) via apadrinhamento do seu chefe partidário, o senador Cid Gomes (PSB). Olhando para 2026, Sérgio Rufino se projetava, como de esperado, para mais uma vez apoiar a dupla Cláudio Pinho (antes PDT, agora filiado ao PSDB) para a Assembleia e Dênis Bezerra (PSB) para a Câmara Federal.
Mas o tabuleiro da política estadual e municipal se moveu acentuadamente, colocando Sérgio Rufino em uma verdadeira “sinuca de bico”, ou seja, em um dilema político, fazendo-o ter que furar a bolha em que sempre jogava sozinho em meio à antes fragilidade dos seus adversários na paroquiana política de Ipu.
UM CALO CHAMADO CLÁUDIO PINHO
A candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado ganhou força. O deputado estadual Cláudio Pinho, cunhado de Sérgio Rufino e seu virtual candidato em Ipu, é um alvo a ser abatido pelo governo Elmano de Freitas (PT). Pinho é linha de frente da candidatura de Ciro e um dos mais vorazes críticos do governador petista.
Caso a eleição de Elmano estivesse pavimentada - mas as pesquisas e as redes sociais mostram que não está, Rufino não teria problemas em dar um discreto “apoio branco” ao seu cunhado, assim como fez em 2022. Mas os governistas e Cid não querem nem saber de um aliado do governo estadual dando apoio a candidatura de um deputado estadual da oposição, ainda mais sendo esse o mirado Cláudio Pinho um dos maiores entusiastas da campanha de Ciro.
Essa situação fez Cid armar uma arapuca para Sérgio ao lhe cobrar correligionarismo partidário. O senador faz pressão para Rufino sair candidato como forma de enfraquecer Cláudio Pinho e, ao mesmo tempo, usar o seu capital político em Ipu e região, para dar votos ao PSB que pretende eleger a maior bancada da Assembleia.
A DISPERSÃO PARCIAL DO SEU GRUPO
Passados vários meses e se mantendo no campo partidário como líder opositor à gestão do grupo Praia em Ipu, esperando (o que não aconteceu!) que a prefeita Milena caísse em meio a querelas judiciais-eleitorais do pleito de 2024, Sérgio entrou o 2026 tendo muitos dos seus edis suplentes do PSB e do PDT ipuense, que também o controla, demarcando território com candidatos a deputado federal e estadual que não são os seus. Na desidratação do grupo Liberdade de Sérgio, coloca-se também uma adesão de três suplentes e outros cabos eleitorais aos praianos da prefeita. Outro dois gargalos: A sua colega de chapa em 2024 como vice, Betina Oliveira, e a presidente da Câmara Municipal, Cristina Peres (PSB), irão apoiar para deputado estadual, respectivamente, Bruno Pedrosa (PT) e Sérgio Aguiar (PSB).
Uma candidatura de Sérgio Rufino poderia trazer a coesão do grupo que lhe deu mais de 13.000 votos nas últimas eleições ipuenses.
LÍDER REGIONAL OU UM POLÍTICO LIMITADO?
Desde a última quinta-feira, 02/04, Sérgio Rufino se desincompatibilizou da Prefeitura de Apuiarés, comandada por sua esposa, Ana Pinho Rufino, onde era Secretário. Esse ato é um gesto de que ele pode sair candidato a deputado.
Mas esse blogueiro aqui lembra que o líder do Clã Rufino é calculista e ainda vai esperar para tomar uma decisão final, observando se fatos novos possam acontecer até as convenções do final de julho. Porém, esse é um ponto fraco seu, pois sua indecisão calculada está sendo posta em um ambiente mais acirrado que é uma eleição para deputado, onde as alianças e conchavos já estão sendo fechados desde o ano passado.
Se não se candidatar, ficará sendo visto com desconfiança por Elmano e mais ainda nas órbitas do PSB, que o enxergará como alguém que só quer usar a sigla para ser beneficiado com cargos e verbas do governo.
No Ipu, uma não candidatura sua pode soar como sinal de fraqueza, desconstruindo o discurso de “líder regional”, como muitos do seu grupo político estão a lhe chamar.

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