quarta-feira, janeiro 22, 2025

POR QUE VÁRIOS IPUENSES ESTÃO SENDO EMPREGADOS NA PREFEITURA DE GUARACIABA?

Apesar da justificativa de que precisa de quadros técnicos para sua administração que se inicia, o prefeito de Guaraciaba do Norte, Cefas Melo (PSD), deverá seguir colocando vários ipuenses dentro da sua gestão. Por trás dessa ação, a qual acredita-se que também deverá se refletir em empresas que prestarão serviços à prefeitura guaraciabense, está a influência do líder político e ex-prefeito de Ipu Sérgio Rufino (PSB).

Rufino foi um dos principais encorajadores e articuladores da campanha vitoriosa de Cefas Melo sobre o grupo político do ex-prefeito Adail Machado (MDB). Também conhecido como um político experiente na obtenção de Emendas Parlamentares, o ex-gestor de Ipu deverá seguir agora dando suporte ao seu apadrinhado nessa articulação de recursos em Brasília. 

A influência de Sérgio, em se tratando da indicação para cargos, já causa um grande incômodo em grande parte dos 15.984 eleitores guaraciabenses que colocaram o filho do saudoso ex-prefeito José Maria Melo no poder. Por outro lado, uma parcela de apoiadores de Sérgio Rufino que atuavam em cargos de confiança ou contratados na última gestão comandada por seu sobrinho Robério, sobretudo em áreas da saúde e educação, aguarda ansiosamente o chamado do seu líder partidário para subirem a serra para trabalhar.  

domingo, janeiro 19, 2025

OS CÁUCULOS E AS MOVIMENTAÇÕES POLÍTICAS DE CID GOMES PARA A SUCESSÃO GOVERNAMENTAL

Cid Gomes (PSB) sabe que dificilmente a eleição governamental de 2026 terá novamente a onda Lula, a qual levou Elmano de Freitas (PT) à vitória logo no primeiro turno em 2022. Sabe ele também que o governador tem dificuldades de sair da sombra de Camilo Santana (PT) e, ao mesmo tempo, ter uma aprovação significativa dos cearenses sobre seu governo que pavimente sua iminente tentativa de reeleição. Ademais, o governo de Lula não navega em mares tão tranquilos de popularidade nesse início de 2025, faltando já menos de dois anos para uma recuperação de aceitação para o continuísmo petista ao nível nacional.

Olhando para o eleitorado à direita, o político sobralensee ex-governador percebe que o eleitorado conservador e até o de centro está órfão de um nome competitivo. O jovem e fiel bolsonarista André Fernandes (PL), que deu um susto no PT na sucessão municipal de Fortaleza, não tem idade eleitoral para se candidatar ao governo e nem o Senado. Capitão Wagner (UB) já vem arranhado com várias derrotas e continua filiado a um partido rachado em ser ou não aliado ao PT. O Senador Eduardo Girão (Novo), que teve menos de 5% dos votos na última eleição da capital cearense, é outro nome que não converge para unir a direita e o centro.  

Então, é isso que Cid Gomes está lendo: há um espaço político-eleitoral entre esquerda e direita para ele jogar suas cartas e tomar de Camilo Santana o posto de maior liderança política do Ceará. Isso deixa claro que por uma questão de sobrevivência política, já está em curso uma virtual rota de colisão entre os dois senadores.

Musculatura e controle do PSB

Nesse próximo mês de fevereiro, uma dezena de Deputados Estaduais deverão estar efetivamente deixando o PDT e se filiando ao PSB. Dentre eles, o presidente da Assembleia, Romeu Aldigheri. Esse grupo de parlamentares são todos fiéis a Cid Gomes e, somados a 65 prefeituras que o partido socialista tem, darão mais ainda musculatura a ele para a sucessão governamental de 2026. Em outra frente, o influente Senador tem padrinhos na cúpula nacional do PSB e membros em seu diretório para, a qualquer momento, tomar a presidência da sigla de Eudoro Santana, colocado lá por influência do seu filho o ministro Camilo Santana (PT).

Diálogo como estratégia.

Percebendo que Luizianne Lins anda explicitamente descontente com o seu PT e principalmente com Elmano e Camilo que tiraram dela a possibilidade de candidatura à prefeitura de Fortaleza para colocar o neopetista Evandro Leitão, Cid já iniciou uma oportuna aproximação com ela. Deixando de lado o retrovisor com um histórico de desavenças com a “Loira do PT” e sabendo das suas pretensões de sair candidata ao Senado, o Ferreira Gomes já deve ter feito convite para se unirem.

Em outra frente, o ex-governador cearense busca reatar diálogo com Roberto Cláudio que está de saída do PDT. Enfraquecido na derrota para o governo em 2022 e na tentativa de reeleição do seu aliado José Sarto em Fortaleza, RC está disposto a ir para um embate contra seus maiores desafetos hoje na política cearense: Camilo e Elmano.

O bote na hora certa

Nesse ano de 2025, Cid continuará dando sinais de que seguirá com sua maquinações, buscando assim manter um nicho político de deputados apoiadores e, ao mesmo tempo, influenciar na chapa governamentaal e na sucessão de sua vaga ao senado.

No tabuleiro político, ele sabe que o PT cearense hoje precisa dele com seu poder de articulação e que ele, por sua vez, precisa dos seus amigos vermelhos cearenses que comandam o governo federal, estadual e agora também a prefeitura de Fortaleza. Todo político que entende do jogo vai fazendo suas jogadas à medida que os cenários propícios vão se apresentando.

Ainda é cedo para dizer que haverá uma ruptura para o primeiro turno da sucessão ao governo dentro da esquerda e centro-esquerda cearense, pois novos cenários podem até surgir. 

Aguardemos os novos capítulos, ou seja, as novas mexidas no interessante tabuleiro partidário para 2026 que já está em pauta dando picos de temperatura alta. 

Análise política do Historiador Kléber Teixeira (Blog do KT)

sexta-feira, janeiro 17, 2025

ENTENDA A CRISE POLÍTICA EM PIRES FERREIRA: OS MARQUES X AMARO PEREIRA

Após 20 anos comandando a cidade de Pires Ferreira, sem adversários que verdadeiramente os ameaçassem, Os Marques (Professor Marcos com seus filhos Pedro Humberto e Marcos Paulo ao lado das suas respectivas noras Marfisa Aguiar e Lívia Muniz), perceberam que um perigo estava nascendo em seu território: o Prefeito de Ipaporanga, Amaro Pereira (PT), oriundo da localidade de Marruás. 

MONITORAR A AMEAÇA

No cálculo dos Marques, hoje representados pela prefeita Dra. Lívia (PSB), e sabendo que o piresferreirense prefeito estava pleiteando participar mais diretamente da sucessão municipal local de 2024, deixá-lo solto se movimentando seria perigoso. Daí, como estratégia, resolveram atrair Amaro para o seu ninho político e estudar de perto suas intenções, monitorando-o e até o enfraquecendo para uma eventual investida sua em 2028. Para consolidar essa aproximação, deram-lhe espaço para a candidatura da irmã de Amaro, Samara, na eleição piresferreirense passada para vereadora, filiando-a ao PSB, que eles controlam o diretório local. Cogitou-se até dar a família de Amaro a Vice da chapa, mas por medida de extrema segurança e para não deixar margem para essa pretensão, repatriaram a carismática ex-prefeita Marfisa Aguiar para ser a companheira de chapa de sua concunhada Lívia. 

PESCOÇO GROSSO

Nesse percurso, Amaro se empoderou e ganhou uma grande visibilidade estadual e até musculatura dentro do PT cearense. Reeleito prefeito com impressionante 92% dos votos, ele se projeta como uma liderança regional, estudando ser candidato a deputado em 2026 pela sigla vermelha que incentiva o surgimento de novas lideranças em seus quadros. Samara, por sua vez e com as bençãos do irmão, foi a vereadora eleita mais votada em Pires Ferreira com sonoros 1.140 votos (15%). 

Ato contínuo, após os triunfos eleitorais de 2024, Amaro ficou com mais poder de barganha para controlar a Câmara Municipal e colocar apoiadores em cargos estratégicos na gestão da prefeita reeleita Lívia. Os Marques fizeram um novo cálculo e deram à ainda inexperiente Samara a presidência do legislativo de Pires Ferreira nesse primeiro biênio (2025-2026). Essa tomada de decisão não foi fácil para a família do Professor Marques, em meio a divergências internas e a frustração de vereadores do grupo da Prefeita que pleiteavam o comando da Câmara. Porém, e aquela altura, era ainda necessário ceder para controlar os Amaros e tirar a prova dos nove em termos de fidelidade, deixando assim o estratégico segundo biênio para algum dos vereadores de maior confiança.

BALA TROCADA  

Início de 2025 e um novo jogo começou. Nos primeiros dias da nova gestão de Lívia, percebia-se que espaços no comando das Secretarias de Pires Ferreira, Samara e seu irmão não teriam poder de indicação, como assim esperavam. Nomes ligados a nova chefe do parlamento municipal, cotados para assumirem ou até continuarem como Secretários, foram excluídos das novas nomeações da gestão da Prefeita. Do outro lado, o empoderado Amaro e sua irmã presidente buscaram ter autonomia em todos os cargos do Poder Legislativo, exonerando pessoas ligadas aos Marques. 

NÃO SE ENQUADROU, ENTÃO SAIA

Marcos Paulo, marido da prefeita Lívia e articulador político do grupo situacionista, mediante a virtual perda de influência no Legislativo, reagiu, achando que era hora de demarcar território e cortar a cabecinha colocada de fora por parte de Amaro, que controla a caneta da irmã vereadora. Irredutível, Marcos sentiu logo de imediato o já esperado: havia ali uma disputa de espaço político onde o "intruso" convidado estava pronto para bater de frente logo nos primeiros minutos da partida.

Em meio a negativas e ausência de retornos de contato de ambos os lados, o clima ficou tenso naqueles primeiros dias de janeiro. 

Uma reunião com a bancada de 7 dos 9 vereadores foi feita no início da semana, e o recado dos Marques foi dado: “Amaro e Samara não fazem mais parte do nosso grupo”, fazendo valer a máxima de que o mal se corta pela raiz.

ENCURRALADO

A eleição de Pires Ferreira em 2028 já começou a ser desenhada. Fica uma verdade já escrita: se o Prefeito de Ipaporanga recuar e pedir arrego, expõe o perfil de um político desarticulado e que, acuado, foge do embate. Críticos dele afirmam que ele não tem ainda luz própria e obedece ordens de um mentor político que lhe deu pernas para se tornar prefeito.   

Ficará também uma outra verdade a ser ainda consolidada: O emergente Prefeito Amaro, se seguir com altivez e demarcando território com o suporte da sua prefeitura serrana, nesse contexto atual, é sim uma verdadeira ameaça ao clã familiar que administra o ex-distrito de Ipu desde 2005. Sendo assim, seria hora de mostrar que tem brilho próprio. 

Conclusão: alguém está sabendo jogar melhor que o outro nessa disputa de espaço político e demarcação de território. No protagonismo da dura política interiorana os fracos não tem vez. 

Análise política do Historiador Kléber Teixeira (Blog do KT)

quinta-feira, janeiro 16, 2025

A METEÓRICA TRAJETÓRIA DO DEPUTADO FEDERAL JÚNIOR MANO E O SEU FUTURO INCERTO


O Deputado Federal Júnior Mano (PSB), reeleito como o segundo mais votado em 2022 com 216 mil votos, só perdendo para os 229 mil do ultradireitista André Fernandes (PL) e superando Célio Studart (PSD) que obteve 205 mil sufrágios, passou a chamar a atenção do cenário político estadual com essa faceta nas urnas. 

Diferentemente do bolsonarista André e de Studart, que é defensor da causa animal, Mano é um daqueles políticos que, sem um ideal ou representação de uma classe, consegue impressionantemente uma massiva votação em vários municípios. Ademais, o Deputado Federal vem da mediana cidade de Nova Russas, com seus 30 mil habitantes, onde a sua mulher, Giordanna, é prefeita reeleita. A projeção de Júnior passou a ser tão grande na órbita política do Ceará que ele foi cogitado para ser candidato ao Senado em 2026, sendo recentemente cooptado pelo PSB para se filiar à sigla alimentando assim essa possibilidade. 

Então, de onde vem tanto o seu poder eleitoral? Por que ele foi votado em mais da metade dos municípios alencarinos? De onde vem a adesão de Prefeitos e grupos políticos de quase todo o Ceará ao seu projeto de poder?

Advindo do mundo empresarial de prestação de serviços para Prefeituras, o político novarussense entra esse ano de 2025 no “olho do furacão” em uma investigação encaminhada ao STF sobre o uso irregular de Emendas Parlamentares com reflexos eleitorais. A grande imprensa nacional destaca que as investigações da Polícia Federal colocam Júnior Mano no “papel central” de um esquema de manipulação de eleições em 51 municípios cearenses. 

OUTRA INVESTIGAÇÃO

Para piorar sua situação, a Procuradoria-Geral de Justiça do Ceará encaminhou para a Procuradoria-Geral da República materiais colhidos em processo judicial que tramita no Tribunal do Júri do Ceará, que "indicam a possível participação do deputado federal Antônio Luiz Rodrigues Mano Júnior em crime de extorsão e/ou corrupção passiva ocorrido no município de Eusébio". Lembrando que esse inquérito guarda relação com o assassinato do advogado Francisco Di Angelis Duarte de Morais em 2023. 

VULNERÁVEL

Embora ainda seja cedo para mensurar os danos que lhe serão causados, Mano em Brasília pertence ao "baixo clero" do Congresso. Sem a proteção do poderoso PL - que o expulsou devido ao seu apoio ao PT na sucessão da prefeitura de Fortaleza - pode ser deixado ao sol por seus pares indispostos a não se comprometerem com sua defesa. 

A dimensão do caso e o avanço das investigações dificilmente o deixarão ileso. As ações do STF podem levar à sua perda de mandato e inelegibilidade por vários anos. 

FUTURO COMPROMETIDO 

O sonho de sair candidato ao Senado já implodiu. Em Nova Russas, inimigos e até teóricos aliados de conveniência já torcem para sua queda como forma de enfraquecer seu império sediado na "terra do crochê", a qual levou sua esposa ao poder após estranhamente convencer o prefeito Rafael Pedrosa a desistir de uma reeleição para apoiá-la em 2020. 

Com a ação da Justiça desabando em sua cabeça, Mano, caso saia dessa berlinda ainda em condições de buscar um novo mandato, certamente seguirá sangrando e sem a mesma capilaridade eleitoral de antes. Cautelosos políticos cearenses, daqui por diante, repensarão antes de se reconectarem com o parlamentar federal. 

Análise política do Historiador Kléber Teixeira (Blog do KT)

segunda-feira, janeiro 13, 2025

SÉRGIO RUFINO EM APUIARÉS - A ÂNCORA E O BALÃO DE ENSAIO

Em sua segunda tentativa, o líder político e ex-prefeito de Ipu, Sérgio Rufino, conseguiu fazer de sua esposa, Ana Pinho Rufino (PSB), prefeita da pequena Apuiarés, cidade do Vale do Rio Curú. Uma vez iniciado o mandato e de maneira previsível, o agropecuarista foi confirmado no estratégico cargo de Secretário de Finanças por sua esposa. 

Seguindo o modus operandi nos doze anos de administração do clã Rufino em Ipu, Ana também nomeou vários parentes seus e do marido, com destaque para o filho Davi como Secretário de Governo. 

BASES POLÍTICAS 
Mesmo derrotado em sua terra natal, Ipu, em uma tentativa de um terceiro mandato, Sérgio deverá continuar no mundo político além dos limites do município em que irá gerenciar a parte financeira. Conhecido por sua resiliência, foco político e articulação que chega até a cooptação de emendas parlamentares em Brasília, Rufino tem ao lado de Ana a missão de fazer do Apuiarés uma gestão que se sobressaia regionalmente. 

De lá, deverá monitorar a política ipuense dando suporte aos vereadores de oposição do seu grupo e, ao mesmo tempo, articular ao lado do parceiro e ex-deputado Denis Bezerra (PSB) uma possibilidade de candidatura sua e/ou dele à deputado já em 2026. 

FILHO SENDO PREPARADO
O ingresso do seu filho na gestão municipal é uma maneira de iniciar o seu ensaio para o mundo político. Impossibilitado pela Lei eleitoral de ser lá em 2032 um eventual candidato a prefeito para suceder sua mãe em Apuiarés, Davi Rufino deve ser o nome postado por Sérgio em Ipu para novas disputas eleitorais, caso haja necessidade em meio a impedimentos jurídicos seus ou até mesmo em um contexto em que seu nome não esteja a disposição. 

NO JOGO POLÍTICO
Mesmo tendo perdido as joias da coroa que é o Ipu, o escorregadio líder político segue vivo com suas jogadas previsíveis. Mesmo assim, considerando a sua capilaridade política e até possíveis fraquezas dos seus opositores - e aqui incluo a frágil que ele encontrou em Apuiarés, Sérgio Rufino seguirá com suas investidas buscando colher algum tipo de placar favorável.
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domingo, janeiro 12, 2025

RONILSON OLIVEIRA E A DURA TAREFA DE TER ESPAÇO NA POLÍTICA IPUENSE

Reeleito prefeito de Croatá com folga e com uma gestão acima da média, o ipuense Ronilson Oliveira (PT) segue mirando na política da Terra de Iracema de olho nos cenários que podem lhe surgir no percurso dos próximos anos até a sucessão municipal de 2028. 

Ronilson sabe que, à conta de hoje, não há um cenário propício como assim ocorreu com os também ipuenses prefeitos Torrim (em 2004 com Corinha) e Lindbergh Martins (em 2024 com Milena), os quais conseguiram entrar meteoricamente na política ipuense elegendo suas esposas como prefeitas. Sabe ele também que o tradicional bipartidarismo ipuense segue hoje com duas lideranças fortes, Lindbergh Martins e Sérgio Rufino, ambas com pretensões de projeção regional e com projetos políticos de longo prazo. Mesmo assim, o ascendente prefeito serrano nitidamente buscará manter-se "vivo” para os seus conterrâneos dentro do tabuleiro político. 

Com penetração tanto no grupo de situação como no grupo de oposição, Oliveira deverá atuar discretamente em várias frentes, sempre com o cuidado de não "queimar a largada". A mais pragmática será a de continuar - embora de maneira mais incisiva - divulgando seus feitos como gestor municipal e líder regional em projeção, tendo a seu favor a habilidade de comunicar-se bem na mídia e nas redes sociais. Em outra frente, não bater a cara na porta dos líderes políticos conterrâneos que lhe procurarem em seu paço municipal. 

No mais, é não esperar que o acaso do mundo político faça tudo lhe acontecer favoravelmente de maneira natural. Se bem que grandes vacilos dos chefes políticos do grupo de situação ou de oposição, seriam muito bem-vindos, pois abririam caminho para Ronilson entrar abertamente no jogo sucessório ipuense.  
Análise política do Historiador Kléber Teixeira (Blog do KT)

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segunda-feira, janeiro 06, 2025

SANTA QUITÉRIA - VOCÊ SABIA QUE A OPOSIÇÃO TEVE MAIS VOTOS QUE O PREFEITO BRAGUINHA?

Braguinha (PSB), o prefeito reeleito e impedido de tomar posso ao ser preso por uma ação da Polícia Federal e Justiça Eleitoral devido ao seu suposto envolvimento com o crime organizado, teve aparentemente uma vitória eleitoral tranquila no pleito passado. Olhando por cima, José Braga Barroso venceu com mais de 3.000 votos, ou seja, 11% de maioria sobre o segundo lugar e ex-prefeito Tomás Figueiredo (MDB). Mas olhando por outro ângulo a realidade é diferente: Juntos, Tomás e a terceira colocada Lígia Protásio (PT), tiveram 5.000 votos a mais que o vencedor do PSB. 

Conclusão: a cidade, epicentro dos noticiários nos últimos dias, saiu do pleito eleitoral muito dividida. 


domingo, janeiro 05, 2025

PIRES FERREIRA: UM PICA-PAU SÓ NÃO FAZ VERÃO?

Em meio a derrota eleitoral em sua quinta tentativa de voltar ao comando de Pires Ferreira - dessa vez com a candidatura de sua esposa Corrinha (PT), o ex-prefeito Francisco das Chagas Torres Júnior (Torrim), conseguiu ser eleito como um dos nove vereadores. Com 445 votos, o agora petista Torrim, também chamado de “Pica-Pau” devido ao seu estilo aguerrido na arena política, será o único edil do Legislativo Municipal de oposição eleito em 2024. 

Certamente, e considerando o seu estilo resiliente e conhecedor das nuances administrativos municipais, o ex-gestor deve ser o grande protagonista nas sessões que acontecem às segundas-feiras a cada quinze dias no ex-distrito de Ipu. Torrim terá também a chance de superar as críticas sobre sua ausência em Pires Ferreira nos anos em que não há eleição. 

A segunda gestão da Prefeita Lívia Muniz (PSB) terá, dessa vez, um verdadeiro e irreversível membro opositor no legislativo, com reflexo nas redes sociais. E já na eleição da Mesa Diretora do Legislativo, Torrim já mostrou coerência partidária em não votar na chapa situacionista, mesmo sabendo que não poderia reverter o placar de 8 votos da bancada de situação.

Uma andorinha só não faz verão, mas um Pica-Pau sozinho pode fazer muito barulho nesse quadriênio da política piresferreirense que está iniciando. 

Análise política do Historiador Kléber Teixeira (Blog do KT)

sábado, janeiro 04, 2025

ELMANO MONITORA OPOSITORES E SE MOVIMENTA PARA SUA REELEIÇÃO

As lições da histórica derrota de José Sarto (PDT), o único prefeito de Fortaleza não reeleito, o fortalecimento da oposição em cidades estratégicas como Sobral, Juazeiro do Norte, Iguatu e logicamente na capital cearense - não esquecendo dos sinais de rebeldia do Senador Cid Gomes de olho na sucessão estadual, fizeram Elmano de Freitas agir. O governador inicia o 2025 com uma ampla reforma em seu secretariado, mirando na sua candidatura à reeleição em 2026. Sabe ele que o cenário político da sua iminente tentativa de reeleição será bem diferente da sua vitória em 2022 em meio a "onda Lula" no Nordeste. Desta feita, Freitas será mais exigido e testado no campo da dupla articulação que envolve governo e política partidária. 

Vejamos as mais pertertinentes mudanças no Secretariado:

* O bem articulado Chagas Vieira, bastante elogiado quanto esteve no governo Camilo Santana, volta a Casa Civil que é o epicentro político do governo. Waldemir Catanho foi sacado da Casa Civil, sendo essa entregue ao ex-deputado Nelson Martins que deve reverter as reclamações que existem da falta de diálogo do Abolição com a Assembleia e com o meio político interiorano. 

* Mas a grande surpresa foi a nomeação do experiente Domingos Filho, ex-governador, para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Aqui se percebe a fusão técnica e política, pois é uma maneira de aproximar mais ainda o PT com o PSD. Virtualmente a siga dos “Domingos de Tauá” é o mais estratégico e acessível aliado em uma iminente chapa de reeleição para Elmano. Além de várias prefeituras do interior, incluindo Caucaia do prefeito Naumi Amorim que é o segundo maior colégio eleitoral do estado, o PSD fez a dobradinha vitoriosa com Evandro Leitão indicando a sua vice Gabriela Aguiar. 

* Jade Romero (MDB), a Vice-Governadora, assume a estratégica da Proteção Social. O MDB de Eunício segue próximo ao governo e há quem veja nessa manobra uma jogada de fortalecimento de Romero e ofuscamento do comandante cearense do partido. 

Olho na oposição

Elmano de Freitas e seu padrinho político Camilo Santana, sabem que a oposição de “direita” é uma inimiga em crescimento, embora sua referência maior, o Deputado Federal André Fernandes, o qual vendeu caro a sua derrota para o PT na disputa da prefeitura de Fortaleza, não tenha ainda idade constitucional para se lançar ao governo em 2026. Um nome deverá surgir e esse não pode ter margem de aliança com gruos políticos estratégicos que estão hoje acomodados no governo estadual. 

Olho em Cid Gomes (PSB)

Certamente o PT sabe que, embora sem o comando direto de um partido, pois o PSB teoricamente está nas mãos de Eudoro Santana que é o pai de Camilo, o Senador Cid com suas 65 prefeituras é uma ameaça doméstica e deve ser monitorado de perto. Cid certamente se sentirá a vontade para entrar em campo se o governo Elmano não chegar 2026, bem avaliado pela população e desarticulado politicamente. A relação do Senador com o PT não é algo tão sólido e sim de conveniência de poder. 

Análise política do Historiador Kléber Teixeira (Blog do KT)

sexta-feira, janeiro 03, 2025

SÁVIO PONTES, PRIMEIRO SUPLENTE DO PSD, PODE VOLTAR A SER DEPUTADO ESTADUAL

O ex-prefeito de Ipu, Sávio Pontes (PSD), entra o ano de 2025 na expectativa de assumir novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa do Ceará. Candidato a Deputado Estadual em 2022, Pontes obteve 8.127 votos ficando na 5ª suplência. O PSD fez três vagas com os eleitos Gabriela Aguiar, Lucílvio Girão e Fernando Hugo.

Porém o influente PSD cearense saiu das urnas de 2024 mais ainda fortalecido. Gabriela Aguiar foi eleita Vice-Prefeita de Fortaleza na chapa de Evandro Leitão (PT) e teve que renunciar aos seus dois próximos anos de mandato. A vaga de Gabriela foi assumida pelo primeiro suplente Simão Pedro. 

Outros dois pesedistas, Apolo Vicz (2º suplente) e Vinícius Duarte (4º suplente) - eleitos vereadores, respectivamente, em Fortaleza e Juazeiro do Norte - abdicaram da reserva de vaga do partido. Keivia Dias, a 3ª Suplente, segue ocupando o cargo de Superintendente Federal da Pesca e Aquicultura. Nesse cenário, o ipuense Sávio Pontes passa a ser o primeiro suplente.

Chances em assumir

Sávio é reconhecido como um político de histórica fidelidade partidária e amizade particular com o ex-vice-governador Domingos Filho e seu filho, o Deputado Federal Domingos Neto, os quais comandam o PSD do Ceará. O ex-prefeito de Ipu em suas duas passagens pela Assembleia Legislativa (2002-2008), ficou reconhecido também por sua forte capacidade de articulação política, sendo inclusive um dos construtores da candidatura de Cid Gomes ao governo em 2006. 

PSD fortalecido. 

É esperado que Sávio esteja em breve sendo contemplado pelo comando do PSD com um retorno ao Legislativo Estadual. Seu partido e seu líder maior, Domingos Filho, indicado recentemnete por Elmano de Freitas (PT) para assumir a estratégica Secretaria de Desenvolvimento Econômico, entra 2025 com forte capilaridade política junto ao governo estadual e a prefeitura de Fortaleza. 

O mundo político segue dando voltas. Feliz do politico que enfrenta desafios  e está sempre no jogo eleitoral.

quinta-feira, janeiro 02, 2025

COM A ADESÃO DE TRÊS VEREADORES, PREFEITO OSCAR CONQUISTA A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA EM SOBRAL

O Vereador Chico Júnior (UB), foi eleito na noite de ontem, 1º de janeiro, presidente da Câmara Municipal de Sobral. Representando a base do prefeito Oscar Rodrigues (UB), Júnior teve 13 dos 21 votos dos edis. Sua vitória foi viabilizada com o voto de três vereadores que foram eleitos pela base do ex-prefeito Ivo Gomes, revertendo o placar de 11 a 10 no pós eleição que dava uma pequena maioria nas cadeiras legislativas aos apoiadores da candidata derrotada Izolda Cela (PSB).

Causando insatisfação nas lideranças do agora grupo de oposição, os edis Romano (PT), Marlon Sobreira (PSB) e Socorrinha Brasileiro (PSB), votaram na chapa que concedia o comando da mesa diretora para o biênio 2025-2026 para Chico Júnior. 

APOIO BRANCO

Acredita-se que esses edis estarão votando favorável aos projetos do prefeito Oscar Rodrigues, embora continuem teoricamente nas suas respectivas siglas partidárias que apoiaram a candidata Izolda com seu vice de chapa o petista Paulo Flor. 

INFIDELIDADE PARTIDÁRIA

Os três edis, os quais já tinham, há quinze dias atrás, assinado um documento de composição ou de apoio a chapa articulada por Oscar Rodrigues para eleger o sobrinho Chico Júnior, estão sendo alvo de questionamentos dos caciques partidários das suas siglas por falta de fideliade partidária. Como não há precedentes de cassação e perda de mandato parlamentar nesse tipo de votação e postura, os mesmos devem seguir em "apoio branco" (extraoficial) até surgir uma nova janela partidária em 2026. 

COM OPOSIÇÃO NO COMANDO, SESSÕES DA CÂMARA MUNICIPAL SERÃO MARCADAS POR FORTE EMBATE POLÍTICO

O grupo Liberdade liderado pelo ex-Prefeito Sérgio Rufino (PSB), conseguiu eleger a nova mesa diretora da Câmara Municipal de Ipu para o biênio 2025-2026. A vereadora Cristina Peres (PSB), eleita presidente, venceu por 7 a 6 a chapa encabeçada por Edvan Peres (PT). 

SEM "GOL CONTRA"

A expectativa do agora grupo situacionista da Prefeita Milena, e até o temor de eleitores do candidato derrotado Sérgio Rufino (PSB), de que houvesse uma “virada de lado”, acabou, diferentemente de outras ocasiões políticas em Ipu, não correndo. 

A estratégia do clã Rufino em fidelizar Cristina com sua candidatura e manter uma política de marcação colada com o grupo dos sete vereadores eleitos por seus partidos apoiadores, surtiu efeito.

ARENA POLÍTICA

Com a presidência da casa legislativa e a maioria de edis (7 x 6), o grupo de oposição deverá trazer dificuldades à gestão da nova prefeita. Certamente as sessões da Câmara Municipal, isso à primeira vista, serão um ponto de acirrado embate entre os vereadores e apimentada por uma plateia em lua de mel com a vitória eleitoral que tirou os Rufinos do poder. 

Lembrando que nas gestões passadas a maior parte das legislaturas foram marcadas por uma ampla maioria do prefeito Sérgio Rufino e de seu sobrinho Robério. Apenas no último ano, ou seja, no 2024 e em meio as adesões de edis que deixaram o barco do grupo Liberdade, as sessões passaram a ter um acirramento maior refletindo o quadro de disputa eleitoral. 

PREFEITA MILENA DAMASCENO TOMA POSSE E PASSA A SER A QUARTA MULHER A COMANDAR O IPU

Tomou posse ontem, 1º de janeiro de 2025, a nova prefeita de Ipu Milena Damasceno (PT). Com isso, a Terra de Iracema passa a ter, pela quarta vez, uma mulher conduzindo a chefia do executivo municipal. Antes de Milena, a cidade fora governada por Antonieta Rocha Aguiar (1972-76) e mais recentemente por Toinha Carlos (2001-2005) e Corrinha Torres (2005-2009). 

O ato de posse aconteceu em sessão solene da Câmara Municipal de Ipu, sendo também um momento festivo para as lideranças políticas e apoiadores que se fizeram presentes. Ao lado do esposo, o líder político Lindbegh Martins, Milena recebeu simbolicamente a chave da Prefeitua de Ipu para um mandato de quatro anos.

NA SEMANA EM QUE SE FILIA AO PSB, JÚNIOR MANO É ALVO DE INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL

Após ser expulso do PL por ter apoiado Evandro Leitão (PT) na eleição para a prefeitura de Fortaleza e se filiar ao PSB pelas mãos do Senador Cid Gomes, o Deputado Federal Júnior Mano é alvo de uma grave investigação que o coloca no centro de um escândalo político.

Uma reportagem do portal UOL aponta que a Polícia Federal investiga um esquema envolvendo Mano, apontando-o de manipular eleições municipais em 51 cidades no Ceará. O esquema inclui compra de votos e desvio de verbas públicas provenientes de emendas parlamentares. Segundo os documentos da PF, o deputado teve um “papel central” na operação, mas ele nega todas as acusações.

Esse episódio coloca em risco o projeto pessoal de Júnior Mano, notamente reconhecido como um deputado de forte articulação junto a prefeitos e vereadores, em sair candidato ao Senado em 2026, ao mesmo tempo que também prejudica a estratégia de Cid Gomes em fortalecer ao PSB para as próximas eleições.

SEGUNDO CASO DE JUSTIÇA

Essa não é a primeiraa vez que o Deputado se enrola com a Justiça. Em 2022, ele e sua esposa Giordanna Mano, prefeita de Nova Russas, ficaram inelegíveis por abuso do poder econômico após decisão do TRE-CE (Tribunal Regional Eleitoral do Ceará). No mesmo ano, o ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deferiu uma liminar suspendendo a cassação do mandato da prefeita de Nova Russas e restabeleceu a elegibilidade de Júnior Mano (PL). Curiosamente o processo ficou parado nas cortes superiores e o então bolsonarista foi reeleito deputado e hoje sua esposa se encontra também reeleita como prefeita. 

O Blog do KT estará atento a novos desdobramentos dessa investigação que está sendo desencadeada pela PF. 

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domingo, dezembro 29, 2024

SOBRAL - OS CINCO FATORES QUE LEVARAM O SARCÁSTICO IVO A SER DERROTADO PELO EXCÊNTRICO OSCAR

Desde a vitória de Cid Ferreira Gomes em 1996, o seu grupo político comanda a cidade de Sobral. Nesse percurso, Cid se empoderou como Governador e depois Senador, ao mesmo tempo que manteve o controle da cidade através das eleições dos aliados Leônidas Cristino, Veveu Arruda e do irmão Ivo Gomes. Excetuando a eleição de 2012, quando o quase desconhecido Dr. Guimarães por pouco não venceu o não empolgante Veveu, as demais eleições foram tranquilas para os FGs. Mas foi nesse épico ano de 2024 que o ciclo de comando do clã Ferreira Gomes chega ao fim com a derrota de sua candidata Izolda Cela (PSB) para o Deputado Estadual Oscar Rodrigues (União Brasil).

Desde 2016, com a candidatura de Moses Rodrigues a prefeito, que os "Rodrigues das Faculdades Inta" tentam tirar os Ferreira Gomes do poder em Sobral. Na eleição de 2020, Oscar foi derrotado por Ivo - que era candidato à reeleição - pelo placar de 66.519 a 45.795 votos, ou seja, com uma sonora maioria de 18,5% naquela ocasião. Mas o que houve nesse ano de 2024 para que essa hegemonia eleitoral do então grupo situacionista virasse pó? Na exata matemática eleitoral, para onde foram os mais de 20.000 votos de maioria de 2020? Qual o cenário encontrado por Oscar Rodrigues para sair de 45 mil para os significativos 65 mil votos?

Após ouvir várias lideranças e atores políticos dessa histórica eleição, o Blog chega à conclusão de que a vitória de Oscar não se deve em peso ao seu poder econômico e a sua resiliência política, muito menos a sua proposta de governo que nem se quer foi bem conhecida. O professor e empresário educacional venceu porque encontrou uma série de variáveis políticas específicas nesse 2024 que se entrelaçaram, sobretudo em meio a desorganizada e até soberba coordenação de campanha de Izolda e de seus padrinhos Cid e Ivo Gomes. 

Certamente um dos maiores méritos de Oscar, uma figura destemida e excêntrica no meio político, foi manter unida a oposição agregando experientes lideranças, evitando assim brechas para a tão manjada estratégia de Cid em dividir a oposição alimentando uma segunda candidatura como assim fez em 2012 e 2016. 

As variáveis políticas dessa eleição de 2024 - as quais chamaremos de FATORES - em consonância potencializaram uma a outra. Em uma eleição com resultado apertado, é inegável que todos esses pontos aqui relacionados tiveram peso decisivo nos números finais. 

Fator 1: IVO GOMES, O CABO ELEITORAL AS AVESSAS
Ele, indiscutivelmente, está muito longe de ter feito uma gestão ruim. Os oito anos de Ivo deixam um legado quase irretocável em infraestrutura, educação, saúde e vários programas sociais e de inclusão. 

Mas onde está o erro? Na pessoa dele como político, ou seja, na sua maneira de impor suas vontades sempre em linha de confronto aberto. 

Suas tomadas de decisões, claramente não pesadas por ele devido a uma certa mescla de soberba com autoconfiança eleitoral, tiveram peso nas urnas. Do confronto com a Igreja Católica na encampação da Santa Casa pela Prefeitura, passando pela falta de diálogo com setores empresariais da cidade e chegando até o acaso com a desativação do popular Guarany de Sobral, Ivo foi criando obstáculos para a vitória de um sucessor no seu grupo partidário. Os seus asseclas não o lembraram que a terra de Dom José Tupinambá da Frota tem um largo núcleo social conservador, cristão, tradicional e que torce o nariz até quando as faixas de pedestre da cidade são pintadas com as cores do arco-íris. 

O carisma de Ivo é uma faca de dois gumes e seu marcante sarcasmo passa muitas das vezes do tom e soa como prepotência. Um episódio bastante representativo foi quando, em uma entrevista radiofônica, ao ser perguntado sobre o seu principal opositor, disse: "O Oscar é doido! Olha só o cabelo dele".  

Daí, nesse início de 2024, veio o erro primário: A Taxa do Lixo imposta pela Prefeitura. Medida extremamente impopular e atrelada a conta de água do SAAE. Ivo conseguiu uma faceta histórica: entrar na casa de todos os eleitores sobralenses e de maneira negativa. O estrago foi tão grande que a candidata Izolda passou praticamente toda a campanha prometendo rever essa cobrança com novos critérios, desconstruindo a narrativa de irreversibilidade do tributo outrora defendida por seu padrinho político.  

Fator 2 : O CANSAÇO DO ELEITOR COM OS FERREIRA GOMES
Embora esse fator já fosse existente quando consideramos que ele já se fizera presente em menor grau nas eleições anteriores, percebe-se que o desejo de mudança estava mais forte esse ano em seguimentos da sociedade sobralense que antes eram mais complacentes com o continuísmo dos irmãos Gomes. Esse gatilho do cansaço foi disparado pela postura do prefeito (fator 01) e pela escolha da sua candidata (fator 3). Ademais, os filhos do Dr. José Euclides não saem do repetitivo esquema: Cid-Leônidas-Veveu-Ivo-Izolda (Veveu)

A ciência política não é algo exato, mas percebe-se que o cenário nacional para novas experiências estava forte em cidades de médio e grande porte como fora o caso da quase vitória do jovem André Fernandes em Fortaleza. As decisivas redes sociais impulsionam as propostas de mudanças pelo "novo", diferente do discurso de "continuidade" que sempre é dificultoso devido o seu telhado de vidro. Em Sobral, uma nova geração de eleitores foi surgindo e sem uma memória atrelada as realizações administrativas das gestões com e pós Cid, sentiu-se bem a vontade em flertar com a experimentação de uma mudança de comando na cidade.  

Um componente a ser aqui colocado na mesa é o racha dos irmãos. Desde 2022, Ciro Gomes, visto por muitos como um cacifador de eleições em Sobral, está rompido com os irmãos e se manteve bem distante da acirrada sucessão do seu ninho político. O racha dos irmãos é sim um componente de fragilidade política percebido pelos eleitores.

Fator 3: AS LIMITAÇÕS DA CANDIDATA
A ex-governadora Izolda, indiscutivelmente, é uma referência na educação cearense, porém pagou um preço alto em vir para uma eleição que lhe exigia uma inexistente expertise sua para o corpo a corpo interiorano com seus clientelismos. A professora tem um perfil técnico, ou seja, de gabinete e não é uma política de grande apelo popular. As limitações eleitorais dela também ficaram atreladas a uma espécie de reedição da discreta gestão do seu marido Veveu Arruda na Prefeitura sobralense. 

Cela ficou com um discurso restrito e não criou uma identidade nova para cativar os eleitores indecisos e vulneráveis do seu partido, pois também não poderia se confrontar com aquilo que desabonava a gestão Ivo Gomes. O fato positivo de ser uma mulher com possibilidades de chegar pela primeira vez ao comando da Prefeitura de Sobral, acabou sendo ofuscado pela polêmica Taxa do Lixo. 

Faltou à ela mais tempo de campanha pois a estratégia dos FGs de apresentar seu candidato de última hora, dessa vez, dificultou a campanha eleitoral da educadora que há muito estava desconectada do cotidiano sobralense. 

Fator 4: O PT COM SEU VICE QUE NÃO SOMOU AO GRUPO
Era articulado que o Vice de Izolda fosse alguém do ramo empresarial que ajudasse no diálogo com a classe comercial e, principalmente, com a estrutura econômica para a campanha competitiva que se desenhava. Mas aí veio a ordem da cúpula estadual do PT de que não abria mão de continuar com a indicação do Vice na chapa. 

Para evitar uma dupla puramente feminina, a Vice Prefeita Cristiane Coleho  foi sacada da tentativa de reeleição e seu colega de partido, o discreto professor Paulo Flor, foi colocado para ser o companheiro de urna da candidata do PSB. 

Dizem os próximos aos caciques Cid e Ivo que estes deixam transparecer que o PT de Sobral é um peso morto. Eles aturam a sigla vermelha - a qual em Sobral é muito limitada eleitoralmente, comandada por sindicalistas da área educacional, sem lideranças carismáticas e acomodada em cargos da Prefeitura - por causa da necessidade de alinhamento com o poderoso partido que controla o governo estadual e federal. O Prefeito Cid chegou até a protagonizar uma querela com Cristiane, ao exonerar funcionários ligados a vice e a não renovar o aluguel do seu gabinete. Ninguém do partido e nem a própria vice teve personalidade para bater de frente com Ivo Gomes. 

Abertas as urnas na noite do dia 6 de outubro, percebeu-se que o PT e Paulo Flor não fizeram a diferença na votação e na reversão da derrota de Cela. 



Fator 5: O JOGO (QUASE) DUPLO DE VEREADORES 
Os desencontros na coordenação onde problemas (omissões, negligências...) de estrutura financeira de campanha e até de pouca confiança passada por seus líderes em reuniões, levaram a um "salve-se quem puder" entre grande parte dos candidatos a vereador dos situacionistas PSB, PT e PODEMOS. Nitidamente o pedido de convencimento de voto para a candidata a prefeita Izolda, foi deixado de lado. Comprovação dessa realidade é vista no resultado nas urnas dos candidatos do grupo de situação, pois a votação destes foi bem superior aos votos que a candidata Izolda teve refletindo até na composião dos eleitos: 10 (pró-Oscar) x 11 (pró-Izolda). Esses líderes, alguns vereadores de vários mandatos, não fizeram valer seus vínculos com a Prefeitura e sua força eleitoral, falhando ou omitindo o voto casado seu com o da sua postulante ao Executivo. 

Todos os amplos conhecedores da política sobralense acreditavam que - apesar dos percalços aqui elencados abaixo (fatores 1, 2, 3 e 5) - haveria a tradicional "cartada decisiva" dos  votos advindos dos distritos e localidades, os quais sempre foram o xeque-mate dos Ferreira Gomes sobre seus opositores competitivos junto ao eleitorado da cidade. Esperava-se uma maioria pró-Izolda de mais de 7.000 votos que revertesse as dificuldades nos redutos urbanos. Ao final e incluindo derrotas em distritos Aprazível, Torto, Bilheira, Patriarca e Taperuaba, Izolda e seu grupo só trouxeram dessas sessões minguados 970 votos de maioria. 

Mas por que o Blog acha, considerando os cenários já citados - esse fator o mais decisivo? Por que se tem ligação direta com as últimas semanas antes da eleição e o resultado final apertado na vitória da oposição com apenas 6.003 votos de maioria, ou seja, nitidamente com os possivelmente reversíveis 4,8% em ações mais incisivas nos redutos eleitorais dos vereadores situacionistas. 

Traições políticas sempre são alimentadas e não ocorrem por um único fator. Em conclusão, houve um erro crasso das lideranças e coordenadores na construção e reta final de campanha. 

quarta-feira, dezembro 25, 2024

OS SECRETÁRIOS DA GESTÃO MILENA DAMASCENO - PERFIL, EXPECTATIVAS E OBSTÁCULOS

Das propostas de campanha à realidade após a chegada ao poder: esse é o inicial ponto desafiador da Prefeita Milena Damasceno (PT) a partir de 1º de janeiro de 2025. O primeiro passo da nova gestão já foi dado com a nomeação de um secretariado mesclado por indicações técnicas e/ou políticas. A nova chefe do Poder Executivo sabe que a cobrança por resultados virá a galope e a comparação com a administração dos Secretários dos doze anos da Família Rufino no poder, serão o epicentro do embate político proposto pela oposição e rebatido pela imprensa e vereadores de situação no seu primeiro ano de mandato.

Na política interiorana nem sempre as pastas são preenchidas da maneira como os Prefeitos pensam originalmente, pois há que se conviver com inevitável pressão do seu grupo político e até de compromissos de campanha. Uma outra nova realidade é a disputa entre os novos prefeitos por quadros técnicos experientes em pastas que exigem conhecimento específico e experiência na máquina pública municipal, porém esses profissionais são escassos e muitos indispostos a migrarem de uma cidade para outra. Há também as negativas de convites de profissionais de médio e alto escalão em atividade no serviço público e na iniciativa privada, por questões salariais e até de zona de conforto destes. Então, a tarefa na composição de um Secretariado é algo complexo e nem sempre é tão tranquila como aparenta ser. 

Chegamos então na semana da posse e 90% das pastas administrativas já possuem seus titulares nomeados pela futura gestora. E a primeira vista há algo salutar e bem diferente do que se viu nas gestões anteriores: a jovialidade e sobrenomes diferentes, ou seja, o monopólio de uma família nos cargos da prefeitura como fora nos doze anos de comando da família Rufino, ficaram para trás. 

E em meio aos anúncios feitos pela Prefeita eleita em suas redes sociais seguiam-se aplausos explícitos, aceitação pragmática e até a natural desconfiança discreta com alguns nomes pontuais. De quem aceitou o convite (e aqui incluo os subsecretários), espera-se uma consciência de que o povo colocou uma nova gestão no poder para que algo diferente fosse emergencialmente feito em vários setores da gestão municipal. Em meio as demandas dos cidadãos e as expectativas dessa mudança política que o Ipu está vivenciando, já se passou o tempo em que se aceitava essa função por mera acomodação política ou vaidade.

Então, quem terá o maior desafio pela frente? Todos, embora uns com menos trabalho de cobrança direta pela população e outros - diga-se a maioria - com tarefas desafiadoras mediante aquilo que desabonou a administração municipal do clã Rufino e que foi a base da punição recebida por eles nas urnas ipuenses. Ademais, Milena e seu braço direito e líder político Lindbergh Martins, devem coordenar ações estratégicas mediante aquilo que foi ouvido e sentido durante a militância na campanha eleitoral. Experientes e advindos de uma destacada gestão de oito anos no comando de Jijoca de Jericoacoara, o "Casal da Praia" deve saber muito bem onde cobrar, como cobrar e agir em colaboração próxima mediante os gargalos herdados da gestão dos Rufinos ou até mesmo na manutenção daquilo que foi satisfatório.

Porém há que se dizer que temos vários exemplos, até em administrações ipuenses anteriores, em que técnicos deixaram a desejar e nomes de indicação política realizaram excelentes trabalhos em suas secretarias. Certamente uma Secretaria ou outra irá se destacar mais. Nesse sentido, será também natural que mudanças aconteçam nesse ano inicial de gestão mediante os resultados entregues e o reflexo político-partidário desse novo secretariado.  

Assim como no futebol, ajustes no time podem surgir no jogo para reverter o placar, ou assegurar a vitória e/ou até mesmo para aplicar uma goleada no adversário. 

domingo, dezembro 08, 2024

6 x 7 - O DESAFIO DA PREFEITA MILENA COM A CÂMARA MUNICIPAL

Apesar da apoteótica vitória da prefeita Milena Damasceno (PT) sobre um grupo que estava enraizado no poder há 12 anos, o resultado da votação do seu grupo de vereadores através das siglas PT-PSD-MDB não foi de um todo satisfatório. Das 13 cadeiras do legislativo ipuense, sete ficaram com candidatos do Grupo Liberdade de Sérgio Rufino (PSB). 
Esse cenário inicial para um Prefeito sempre será desafiador, levando o dia 1º de janeiro - ocasião da eleição da Presidência Legislativa - a ser um dia marcado por cenas fortes na História política de Ipu.  

Teremos gol contra?

Em outros momentos, a primeira sucessão da mesa diretora do legislativo municipal foi marcada por adesões de um edil do grupo derrotado em apoio ao candidato do grupo situacionista. Nas rodas políticas de Ipu esse famoso “gol contra” sempre é esperado mediante o atrativo que tem a máquina pública municipal sobre esses edis alicerçados eleitoralmente em ações assistencialistas. Para estes, ficar sem um acesso direto as ações políticas da Prefeitura e suas secretarias, ou seja, no caso da mandatária maior (Milena) e do líder maior (Lindbergh Martins), é um caminho dificultoso para uma reeleição sua ao legislativo.

Quem poderia aderir a Praia?

Excetuando Zeca Rufino e Moreira Filho, respectivamente irmão e sobrinho do líder Sérgio Rufino, para qualquer um dos outros cinco edis seria natural uma adesão ao Grupo da Praia da prefeita Milena. Então, retirando os dois parentes do atual prefeito, os demais fazem política de cotidiano junto as suas comunidades e não por uma questão de laço familiar com chefes políticos. Nesse sentido a adesão dos demais seria uma forma de sobrevivência política, mesmo considerando que um ou outro tenha recursos próprios para fazer o básico na sua política do dia a dia. 

Sergio Rufino tenta segurar a base

Em um sinal claro que vai buscar truncar o jogo, o tio do hoje prefeito Robério, dois dias após a sua derrota eleitoral, reuniu os sete edis e buscando expô-los e comprometendo-os de público, fez registro fotográfico e gravou vídeo para as redes sociais com os mesmos afirmando compromisso de serem oposição e estarem unidos na próxima legislatura. Certamente o líder do grupo Liberdade seguirá monitorando de perto os seus sete parlamentares até o dia e as horas/minutos anteriores da eleição da nova mesa diretora da Câmara.

Cristina Peres candidata

Diferentemente de outras sucessões em que fez seu irmão Zeca Rufino várias vezes presidente sem dar espaço para outros edis do seu grupo, Sérgio Rufino teve como estratégia emergencial antecipar a indicação do seu candidato a presidência para o biênio 2025-2026. 

O lançamento de Cristina Peres se dá por dois motivos: uma forma de se contrapor ao seu irmão e vereador reeleito Edvan Peres (O Monga) - que, até segunda ordem, é o mais cotado para ser o candidato de Milena ao comando da Câmara - e, ao mesmo tempo, tentar fidelizar seu esposo e padrinho político Eduardo Ximenes que nesse 2024 abdicou de ser candidato. Em 2012, quando foi eleito pela bancada de oposição a Sérgio Rufino, Eduardo fez um histórico "gol contra" deixando de lado o grupo político que o elegeu votando em Zeca Rufino para presidente da Câmara. Não esquecendo também que o esposo de Cristina em 2016 retornou ao grupo de origem, mas depois, em 2017, mudou de lado político novamente. Mas Eduardo, após uma irrisória candidadura a prefeitura da vizinha cidade de Pires Ferreira com apenas 40 votos obtidos, ver-se agora obrigatoriamente fidelizado aos Rufinos com essa possibilidade de se hidratar politicamente através de um eventual protagonimso da esposa. 

Jogo duro até às 14h do dia 1º de janeiro

Sérgio Rufino sabe que perder a presidência da Câmara logo de início será algo comprometedor, abrindo caminho para mais perdas políticas nos próximos meses e gerando incertezas no seu futuro político na oposição ipuense. 
Portanto, da mesma forma que será um desafio para Milena também será para o ex-prefeito, ainda mais por que ele agora não terá mais a máquina municipal para jogar e manter um grupo de sete vereadores que se mantém vivos na política por ações de apoio cotidiano aos seus eleitores. Caso consiga manter a fidelidade, Sérgio sabe que terá que montar uma espécie de "Prefeitura Paralela" para manter esses edis nos próximos anos, tarefa essa facilitada se abocanhar o comando do Legislativo. 

Aguardemos as cenas fortes ou não da tarde do dia 1º de janeiro de 2025! 
(.....)

sábado, dezembro 07, 2024

O ENSAIO, O RECUO E A VINDA VITORIOSA DE LINDBERGH MARTINS NA POLÍTICA IPUENSE

Uma vez reeleito Prefeito de Jijoca de Jericoacoara em 2020, o ipuense Lindbergh Martins começou a mirar a política ipuense. Nos seus primeiros movimentos a via utilizada era a conexão familiar com seu primo e vereador Nonato Filho. Em 2021, o programa Fatos em Debate da FM Cidade e esse blogueiro aqui, começaram a destacar os movimentos políticos de Lindbergh e também dando publicidade aos seus feitos da Prefeitura de Jijoca. Ainda não havia a expressão Vai dar Praia, mas já se percebia que o líder político da cidade praiana era visto como alguém que, se realmente viesse militar na política de Ipu, seria competitivo se contrapondo aos já encaminhados doze anos de poder da Família Rufino. 

Nesse percurso inicial, notava-se que as alas de oposição se mostravam reticentes ou resistentes as suas primeiras movimentações políticas. O próprio Lindbergh não “entrava de sola” no jogo político e muitas das vezes - acredito que por suas obrigações como Prefeito em uma cidade relativamente distante da nossa região – “sumia” do cotidiano político da cidade. Enquanto isso, a oposição seguia com suas alas políticas de oposição: Os Carlos com Diego, os Mororós, Sávio Pontes e os Martins de Nonato na qual Lindbergh era teoricamente vinculado. 

O ensaio e a desistência em 2022.

Pleito para governador e deputado em pauta, Lindbergh chegou a projetar a possibilidade de lançar seu filho, Lindbergh Filho, como candidato à Deputado Federal com o apoio do PSD dos bem articulados Domingos de Tauá. Acredita-se que em meio a onerosa campanha que poderia ser e também o risco de queimar a largada com suas pretensões políticas futuras, Martins declinou da campanha do filho. Ato contínuo, o prefeito jijoquense fez parte da articulação das candidaturas à Deputado de Bruno Pedrosa (PDT) para Estadual e Eliane Braz (PSD) para Federal. Mas percebendo que não iria liderar essa coalizão que uniria o clã Mororó e os Martins de Nonato, Lindbergh se retirou da política ipuense e foi cuidar da campanha dos seus candidatos na cidade litorânea em que é gestor. 

A última imagem por ele deixada fora naquele final de ano foi de frustação, mediante uma polêmica declaração radiofônica na qual disse que setores da oposição "só pensavam em seu umbigo" e que "ficaria no seu canto" para não atrapalhar caso não precisassem dele. Com essa declaração e considerando a sua desconexão até com os setores da imprensa que o divulgavam, o “homem da praia” dava a entender que, até segunda ordem, não militaria mais na oposição de Ipu.

O sabático 2023: distante, mas de olho.

Colhidos os resultados da eleição de 2022, a oposição seguiu ainda sem um elemento agregador com suas alas, mas dois fatos novos surgiram: O líder situacionista e “prefeito” Sérgio Rufino saiu com derrotas nas urnas e Diego Carlos se fortaleceu ao encabeçar a vitoriosa campanha do governador Elmano em Ipu assumindo o comando do PT.

De longe, Lindbergh fazia a leitura que a oposição continuava sem um norte e que os Rufinos não só como gestores da prefeitura, mas também como políticos, estavam muito desgastados em seu comodismo de poder. O curioso é que nesse cenário até lideranças que eram do grupo político dos Rufinos, mas que estranhamente continuaram com eles na eleição de 2024, viviam constantemente em linha com Lindbergh encorajando-o para uma candidatura sua (diga-se de um familiar seu) nas eleições à prefeito que se aproximavam. Nas rodas de bar, cidadãos ipuenses seguiram "insultado" (via telefonemas em viva voz) para que o líder Jijoquense viesse para o Ipu. 

Os bastidores do início de 2024

Janeiro de 2024 chegou e as alas de oposição seguiam separadas e praticamente sem dialógo. Até mesmo Diego Carlos, agora cacifado pelo governista PT, continuava sem fazer política que desse confiança ao eleitorado anti-Rufino. Lindbergh, por sua vez e mediante esse cenário, resolveu se movimentar de cima para baixo, ou seja, junto aos caciques estaduais do PT e PSD. Com a sucessão municipal de Jijoca articulada, a qual teve a mão do influente deputado Romeu Aldigueri que propôs um irmão seu como candidato situacionista, Lindbergh focou de maneira mais decidida na eleição de Ipu. Certamente conversando com seus botões, sabia ele que muitas variáveis da política interiorana covergiam para a ainda oportunidade de ter papel central na sua terra natal.    

O prefeito praiano passou então a atuar em três frentes: Conseguir o apoio do governo do estado, diga-se do chefe-mor Camilo Santana que estava encarregado de conduzir o mapa petista nas eleições do interior, unir a oposição ipuense e arquitetar adesões de peso que estavam insatisfeitas com o monopólio de poder dos Rufinos. Tarefa essa feita com sucesso e de maneira acachapante entre janeiro e fevereiro desse ano, emergiu então a boa sacada de lançar sua esposa Milena Dasmasceno pelo chamativo PT ("o 13", o "partido do Lula") tendo como vice a vereadora Arlete Mauriceia (PSD). O "Vai dar Praia" veio com uma onda de adesões nos meses seguintes e a oposição se renovava e entrava competitiva no pleito eleitoral.

Um novo ator central na História Política de Ipu

Uma vez consumada a vitória no último dia 6 de outubro, Lindbergh Martins, com todo esse histórico de superação de incertezas, desapegos (diga-se: sucessão de Jijoca), sacrifício familiar, resiliência contra chantagens, resistências e tomadas de decisões na hora certa, é elevado à condição de líder de um novo grupo partidário e içado ao posto de protagonista de mais um capítulo da História da Terra de Iracema. Sua entrada em cena e o tempo de permanência irá agora depender de suas ações como gestor, agregador político e observador das variáveis (ou sinais) que o levarão a superação de inevitáveis obstáculos.