1976 - A FACÇÃO MORAIS VOLTA AO PODER


O ano é 1976. A ditadura militar que se instalara no poder desde 1964 dava sinais de enfraquecimento, embora mantivesse as eleições presidenciais e para governadores pela via indireta, existindo também a permanência do bipartidarismo representado pela a situacionista ARENA e o moderado MDB.
Os Rochistas que haviam chegado ao poder em 1966 com a vitória do Dr. Rocha Aguiar sobre o comerciante Chico Macarrão(genro do ex-prefeito Zeferino de Castro), tinham conseguido se manter no poder com as vitórias de Antonio Ximenes Veras(1970) e de Antonieta Rocha Aguiar(1972). Dr. Rocha conseguira manter uma estrutura de poder forte, basta observarmos que dos 11 vereadores da Câmara Municipal apenas o edil José Araújo lhe fazia oposição. Mas as eleições de 1976 trariam a tona, mais uma vez, o já caracterizado bipartidarismo ipuense.
O Monsenhor Morais não estava disposto a colocar seu nome mais uma vez como candidato à Prefeitura do Ipu. O padre havia sido derrotado pelo “cordão de ouro” Antonio Ximenes Veras na disputa de 1970, na famosa disputa do “Zorro contra a Cuia”. O ex-prefeito Antonio Pereira de Farias, vitorioso em eleições passadas e já com a idade avançada, não estava disposto a encabeçar mais um pleito municipal, mas sugeriu a indicação de seu filho o Médico Veterinário Antonio Milton Pereira, como candidato da facção Morais para a eleição que se aproximava. Em meio as articulações políticas surgiu o comerciante Chico Andrade, membro da emergente classe burguesa ipuense, como vice de Milton e principal provedor financeiro da campanha.
A família Pereira saiu em campanha pela ARENA 1 e contava com o importante apoio do Governador Adauto Bezerra. O agrônomo candidato da oposição representava com seu carisma e de certa forma, apesar de pertencer a família tradicional na política, uma novidade na cidade gerando um forte apoio da classe urbana ipuense com seu tradicional ímpeto mudancista. O Padre Morais (foto acima) coordenava a campanha e tratou de lançar fortes candidatos à vereador oriundos do meio aristocrático rural, como foi o caso dos “Três Zés” – Araújo, Lopes e André (de Pires Ferreira). Havia também a adesão da família Mororó e dos líderes políticos, Gessy Torquato, Chico Afonso e Osmar Barbara da Várzea do Jiló.
Diversos fatores enfraqueciam os Rochistas. Havia o natural desgaste de quase dez anos no poder, e a administração da Prefeita Antonieta Rocha Aguiar, esposa do Dr. Rocha Aguiar, tinha sido discreta e sem grandes realizações. O Governador Adauto Bezerra sabia que os Rochistas Ipuenses eram ligados ao grupo do ex-governador e seu rival César Cals, daí o interesse do Executivo Estadual em promover uma mudança política na Terra de Iracema. Não podemos também esquecer que no âmbito nacional havia uma atmosfera de mudanças políticas, com a abertura “lenta, gradual e segura” feita pelo Presidente Ernesto Geisel. A situação se complicava para o líder Dr. Rocha em meio a as pressões feitas pela família Pinto de Pires Ferreira (ainda distrito de Ipu), pois estes ameaçavam abandonar o “bode louro” caso sua facção não indicasse o membro mais notável do clã, Francisco Pinto de Oliveira como candidato a Prefeito de Ipu.
Surgiu então a campanha do “Gavião contra o Pinto”. Mesmo com as insatisfações dos Rochistas, pois os Pintos de Piresferreira eram adesistas de última hora, Chico Pinto saiu candidato pela ARENA 2 e tinha como vice Antônio Ximenes Veras.
Os "gaviões" de Milton Pereira acabaram vencendo com uma tímida maioria de 146 votos (menos de 4% de maioria). A facção Morais retorna assim ao poder, agora sobre a liderança de Milton Pereira e posteriormente com a de Flavio Mororó, permanecendo no poder até 1992.