1992: ZEZÉ CARLOS VENCE DR. CACÁ E OS ROCHISTAS VOLTAM AO PODER

A segunda administração de Milton Pereira entre 1989 e 1992 ficou a desejar... o que muito contribuiu para um gradativo esvaziamento do seu grupo político, observado com mais intensidade nos seus dois últimos anos de mandato. O “Véi Milton” mostrava-se fadigado politicamente, sendo criticado por seus correligionários em sua displicência administrativa a qual comprometia a permanência da facção Morais no poder, abrindo espaço para o fortalecimento da facção Rocha Aguiar liderada pelo empresário Zezé Carlos.
A ADMINISTRAÇÃO DE NOVO COM O POVO

O então Prefeito de Ipu já tinha dado sinais de enfraquecimento político quando não deu maioria eleitoral para seus candidatos nas eleições governamentais e legislativas de 1990, ocasião em que retribuía o apoio que lhe foi dado pelo governador Tasso Jereissati em 1988. Ciro Gomes, candidato a Governador indicado por Tasso e vitorioso na maioria das cidades interioranas, fora derrotado nas urnas ipuenses para Paulo Lustosa que recebera o apoio da facção Rocha Aguiar.
A construção da Praça Pedro César Tavares que jocosamente era apelidada de “praça do pau mole” foi a única obra de destaque da administração De novo com o Povo de Milton Pereira, diferentemente do seu primeiro mandato na segunda metade dos anos 70, quando apoiado pelos governadores Adauto Bezerra e Virgílio Távora, encampou para os ipuense diversos aparelhos urbanos com destaque para a Fundação SESP e o CSU (Centro Social Urbano).

CANDIDATOS E GRUPOS POLÍTICOS

O aquinhoado Zezé Carlos (PTB), respaldado pela eleição de seu filho Marcelo Carlos como Deputado Estadual em 1990 e mais experiente após a derrota que sofrera em 1988 quando tentara se eleger Prefeito de Ipu, se consolidava como candidato da oposição e montara uma “prefeitura paralela” que tinha como base a garagem da sua empresa Vipu no bairro do Reino de França de onde partiam favores políticos aos seus eleitores. O publicitário Maurício Xerez (PL) que também lançara sua pré-candidatura a Prefeito de Ipu acabou aceitando ser o vice de Zezé Carlos.

O médico Antonio Carlos Martins (PSDB), o Dr. Cacá, fazia um trabalho assistencialista que tinha por base levar pessoas enfermas para a realização de consultas e cirurgias na Santa Casa de Sobral, fora o candidato indicado por Milton Pereira. Sem dinheiro para os gastos com a campanha e ausente da política de Ipu por vários anos, Dr. Cacá não fora um nome impactante. O tabelião Dião Tavares, outro que também não tinha muita força política apesar de reconhecidamente ser uma pessoa afável e de boa índole, seria o Vice da chapa de Cacá.

A eleição se aproximava e o esvaziamento do grupo político de Milton Pereira comprometia a candidatura situacionista de “Cacá e Dião no Coração do Povão”. Magela Ximenes (PMDB), Vice Prefeito, migrara para a oposição e se lançara candidato a Vereador. A família Mororó focada nas eleições de Pires Ferreira com as candidaturas dos irmãos Enoque e Flávio também não deu apoio ao candidato da situação e fechou apoio a Zezé. Em meio às adesões aos rochistas, um fato surreal aconteceu: O monsenhor Morais, ícone da facção que leva seu nome (mas sem a mesma força política de outrora), também apoiou Zezé Carlos.


AS RÁDIOS ENTRAM EM CENA

Pela primeira vez, a eleição municipal em Ipu teria cobertura radiofônica. A Rádio Iracema, fundada em 1989 e pertencente ao Deputado Gomes Farias, fazia a defesa do candidato Dr. Cacá. Bosco Farias e Camurça Neto ( que veio da Verdes Mares só para a campanha no rádio) passaram a levantar a voz contra o “Papai Noel”- apelido que criaram para macular Zezé como “ presenteador” dos eleitores - em programas jornalísticos diários. A Rádio Regional de Ipu, fundada por Zezé e Marcelo Carlos em 1991, fazia oposição e tinha como âncoras Aquiles Sobrinho e Farias Júnior. Um ponto polêmico da campanha, observando a importância do rádio, foi quando Aquiles divulgava uma gravação em que o então presidente da Câmara Municipal, Chagas Peres, falava que a Prefeitura tinha milhões de cruzeiros para gastar com a eleição do Dr. Cacá. Outro ponto marcante foi quando no programa eleitoral do PTB de Zezé Carlos foram lidas as notas de empenho da P.M.I. em que o Dr. Cacá era pago pela Prefeitura para fazer as suas famosas viagens de caridade em sua F-1000 Ford para Sobral, fazendo cair por terra a idéia do “homem santo” que era o médico e candidato da situação.


A VITÓRIA DA FACÇÃO ROCHISTA

Resumidamente: a força econômica de Zezé Carlos, o desgaste da administração de Milton Pereira e o ímpeto oposicionbista do ipuense, não esquecendo a não coesão e pouco inteligível candidatura de Cacá e Dião, sentenciaram a vitória dos Rochistas.

A chapa Moralização e Trabalho de Zezé Carlos e Maurício Xerez obteve 8.841 votos contra 7.223 dos situacionistas, caracterizando assim uma maioria de 1.618 votos.
Segue abaixo a relação dos vereadores eleitos em 1992 com suas respectivas votações e o partido que estavam filiados.