IPU, ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA

               
Rezam as crônicas dos historiadores Ipuenses e dos trabalhos de pesquisas acadêmicas, que, por volta de 1694, a Corte de Portugal fez doação de vinte léguas de terras a Dona Joana Paula Vieira Mimosa, mulher excepcional, casada com o Capitão  João Alves Fontes e que foi baluarte para a conquista e definitiva colonização das terras onde hoje ergue-se a cidade de Ipu, sede do município do mesmo nome e localizada na região noroeste do estado do Ceará.

O historiador Eusébio de Sousa afirma que Dona Joana conseguia, com rara habilidade, catequizar os nativos da tribo Tabajara que ocupava a então criada Aldeia do São João até a Várzea do Jiló, de onde desciam para caçar e pescar nos rios e riachos localizados nas proximidades da sede do atual município de Ipu, que fica no sopé da Serra da Ibiapaba.

Em 1740, em meio à forte presença dos Padres Jesuítas em áreas interioranas da colônia, vieram ter ao arraial vários clérigos missionários da Vila Real de Viçosa, avançando assim na ocupação da região. E assim como acontecia em muitos locais ocupados, o nome "Ipu" - um termo de origem tupi-guarani com significados relacionados à água e sua movimentação, frequentemente traduzido como "água que cai do alto", "água que surge" ou "fonte" - era apropriado pelos colonizadores de origem europeia que se fixavam na fértil região da hoje identitária "Bica do Ipu".

A colonização portuguesa na região se estabelecia através da catequização concomitante à expansão pecuarista do gado e das fazendas criatórias às margens dos rios na bacia do Acaraú. Famílias de luso-pernambucanos e luso-alagoanos, como os Martins, Paiva, Araújos, Alves, Chaves, Mellos e Torres, seriam responsáveis pelos assentamentos pecuaristas através da corrente denominada “sertão de fora” que ocuparam as sesmarias distribuídas pela Coroa Portuguesa às margens do Rio Acaraú. Ao longo do século XIX, outros clãs, sobretudo advindos da nobreza lusitana, como o Aragão, os Soares, os Correias, os Magalhães, os Limas, os Ximenes, dentre outros, foram se fixando no arraial, onde, no entorno de uma primitiva Igrejinha, foi se estruturando uma consistente comunidade contemplada pela abundância das águas do riacho Ipuçaba e da exuberância de uma queda d’água de mais de 120 metros que jorrava do paredão da Ibiapaba.  

EVOLUÇÃO POLÍTICA 

1.Brasil Colônia

Em meio ao avanço da colonização portuguesa na parte sul da Ibiapaba, em 12 de maio de 1791, é criado o município que teve sua primeira sede na povoação de Campo Grande (hoje Guaraciaba do Norte), então elevado à categoria de vila, com o nome de Vila Nova Del Rei. Na divisão feita pelo governo de Portugal, essa região compreendia também o arraial do Ipu, onde já existia uma capelinha em honra a São Sebastião, sendo esta pertencente à Freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos, hoje conhecida simplesmente como "Matriz", que é distrito do município de Ipueiras. A Capela de pequeno porte em 1780, tinha a frente virada para o poente, pois se tratava apenas de um local para orações, o contrario da que vemos hoje virada totalmente para o Nascente. Segundo os documentos eclesiásticos do curato católico do Acaraú, o Capitão José de Araújo Chaves, filho de João Alves Pontes e Joana Paula Vieira Mimosa, doou as terras que serviram de patrimônio para a capela sob a proteção de São Sebastião. As terras do Santo, como ficaram conhecidas, têm uma légua de comprimento do Riacho Ipuçaba a começar na Bica, e meia légua para cada lado do referido riacho, limitando-se ao sul com as terras do Sítio São Mateus, ao norte com as terras do Sítio Ipuzinho. Apesar da vida religiosa em torno da Igrejinha, somente em 1870 é formado o patrimônio para ereção da Capela sob a invocação de São Sebastião, em torno da qual se organizara o povoado que primitivamente chamou-se Papo.

2.Brasil Império

Nas primeiras décadas do século XIX é desencadeado um processo de florescimento agrário, comercial, urbano e religioso que faz o Ipu se sobrepor à sua então sede, o Campo Grande. Com a lei provincial nº 200, de 26 de agosto de 1840, assinada pelo presidente da província do Ceará, Francisco de Souza Martins (PC), é suprimida a Vila Nova Del Rei, que tem sua sede transferida para a Vila Nova do Ipu Grande. Certamente, em meio às disputas partidárias do início do Segundo Reinado (1840-1841) entre o Partido Conservador (PC) e o Partido Liberal (PL), houve vários reveses políticos com a ascensão do Padre José Martiniano de Alencar (PL) ao comando da província no ano posterior à emancipação de Ipu. O novo governador cearense revogou a Lei nº 200, retornando a sede do município para a Vila Nova Del Rei em janeiro de 1841. Com a queda do Padre Alencar e o retorno do Partido Conservador ao comando da província, o novo presidente, José Joaquim Coelho (PC), em 1842, aos 3 de dezembro, por força de diploma legal de nº 261, do governo Provincial, a sede da Vila foi definitivamente revertida ao Ipu. Essa hegemonia do Ipu na região é percebida ao se observar que a hoje cidade de Guaraciaba do Norte permaneceria como distrito ipuense de 1842 até 1879, quando teria sua emancipação a Vila com o desmembramento em relação à comarca de Ipu.

A Vila de Ipu Grande foi elevada à categoria de cidade aos 25 de novembro de 1885 de acordo com a lei provincial nº 2.098, passando a ser denominada de Ipu. Esse decreto assinado pelo presidente da província Miguel Calmon du Pin e Almeida. A partir de então, o denominação Ipu é dissociada oficialmente do complemento "Grande".

3.  A cidade nas primeiras décadas do Brasil Republicano

Em 1894, com a instalação da Estrada de Ferro de Sobral com seu ramal em Ipu a qual deu para a cidade uma majestosa Estação Ferroviária em estilo arquitetônico neoclássico, o Ipu passou a crescer e urbanizar-se com mais intensidade. A economia comerciária, promovida pela ferrovia, possibilitou à classe comerciária local adquirir capitais gerados do trabalho e do comércio principalmete algodoeiro, bem como se conectar com a capitaal do estado.

"Em seu primeiro número em 01/01/1919, o Jornal Correio do Norte, logo na capa (1ª página) sob o sugestivo título Array!!, traduzido pelo próprio jornal como Avante! Seus editores evidenciam o momento de “progresso” vivido pela cidade de Ipu: Para o editor do jornal, existe em Ipu um esforço de “nosso povo” em prol do progresso que pouco a pouco vai tomando a cidade. Esse progresso está presente nos novos equipamentos construídos na cidade, naquele período, por um punhado de homens distintos." (texto adaptado da obra: O Trem e a Cidade de Antônio Vitorino Farias Filho – Edições UVA/2016).

Ao progresso e as conquistas de novos equipamentos pela cidade nas primeiras décadas do século XX, temos como destaque:

* A estrada de rodagem Ipu- São Benedito e a construção do açude do Bonito.
* O Centro Artístico Ipuense e o Gabinete de Leitura.
* A Associação 7 de Setembro, também chamada de Grêmio Recreativo Ipuense, que em 1924 passa a se Chamar Grêmio Recreativo sociedade Dançante.


Fontes:

1 - SOUSA, Eusébio de. Revista dos Municípios. Ano 1, nº 1. Typografia Urânia: Fortaleza, fevereiro de 1929.

2 - _________________. Um pouco de história (chronica do Ipú). Revista do Instituto histórico do Ceará. Tomo XXIX, ano XXIX, 1915.

3 - THÉBERGE, P. Esboço histórico sobre a província do Ceará. Fortaleza: Fundação Valdemar Alcântara, 2001. (V. I, II e III). 

4 - IPU (Município) Cópias do que se contém no Livro de Registro de Documentos da Vila Nova - d’El-Rei (1797 a 1816). Documento nº 6.

5-  IBGE - Enciclopédia dos municípios brasileiros / [Conselho Nacional de Geografia e Conselho Nacional de Estatística]. -  liv27295_16.pdf.

6- ARARIPE, J. C. Alencar, o padre rebelde. 2. Edição. Fortaleza: UFC/Casa de José de
Alencar/ Programa Editorial, 1995.

7 - FILHO, Antônio Vitorino Farias. O Trem e a Cidade – Edições UVA, 2016.