Escrevo aqui um dia após o final da Copa do Mundo de 2026, após observar uma saraivada de elogios à campeã Espanha que venceu a Argentina pelo pobre placar de 1 a 0. Na TV, nas redes sociais, o que se escuta é: “A Espanha dominou toda a partida com sua qualidade de posse de bola”, “Venceu a melhor Seleção. Aquela que quis jogar futebol” e a “Argentina foi anulada pela qualidade tática da Espanha”.
Estamos sempre com uma mídia esportiva repleta de "engenheiros de obra pronta", os quais não observam que um jogo de Copa mostra o quanto uma equipe muda (ou expõe limitações) de um confronto para outro. A Espanha que sobrou sobre a encantadora França nas semifinais, mostrou-se na decisão um time questionável.
ALEATÓRIO I
A “competente” Espanha não conseguiu, com seu elenco que gosta da posse de bola, furar a defesa da “limitada” Argentina. O time de Messi, certamente sabia das suas limitações e jogava nitidamente por uma bola, algo que o time ibérico não permitiu que essa oportunidade acontecesse no tempo normal. Os sul-americanos tinham o plano B (ou seria A, como queira), que era levar a decisão para as cobranças de pênaltis.
A partida já se encaminhava para a prorrogação quando, numa jogada aleatória, o volante argentino Enzo Fernandes recebeu um segundo amarelo e foi expulso. Caso não ocorresse esse episódio, os argentinos teriam mais possibilidades de segurar o burocrático e pouco inspirado ataque do apático Lamine Yamal.
ALEATÓRIO II
E o gol da Espanha saiu! Mas só veio no início do segundo tempo da prorrogação, após 106 minutos de um ataque ineficiente. Mas um detalhe chamou a atenção: o jovem Giuliano Semeone, após subir para o ataque, desistiu de fazer uma marcação simples sobre o atacante Ferran Torres e infantilmente ficou ajeitando os meiões. Se tivesse atento, o gol não aconteceria.
ALEATÓRIOS III, IV e V
Nos últimos cinco minutos da prorrogação, a “dominadora” Espanha quase via o jogo ir vergonhosamente para as penalidades. Aos 116 minutos, Lionel Messi recebeu de frente com o gol e disparou uma bomba, mas na trajetória da bola estava o rosto do espanhol Merino que foi a nocaute.
Mostrando superioridade mental em meio a uma Espanha acuada, no ataque seguinte, Messi deu um genial passe para Semeone que cruzou rasteiro para dentro da pequena área para Senesi concluir. O zagueiro Cubarsí, por uma fração de antecipação, tirou para escanteio.
Praticamente no último minuto, Giuliano Semeone, mais uma vez ele, perdeu um gol em uma batida livre de marcação já quase dentro da pequena área que passou por cima do travessão.
E se um dos aleatórios acima, apenas um deles, ocorressem de maneira diferente e a partida fosse para os pênaltis (independente de quem fosse a campeã), qual seriam as frases dos analistas de "obras prontas"? Uma delas certamente seria: “A Espanha se mostrou uma seleção limitada, sem alma, sem poder de finalização e foi superada pelo poder mental da Argentina”.
A Espanha "que ensinou como se joga", teve o fator sorte (o aleatório) do seu lado para não viver uma frustante não vitória em uma decisão de Copa do Mundo.
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