Pires Ferreira, antigo distrito de Ipu que se emancipou em 1988, foi, mais uma vez, destaque negativo em matéria do Diário Nordeste (edição de 12/01/2026), a qual expõe a continuidade de uma triste realidade socioeconômica do município. Entre os 184 municípios cearenses, Pires Ferreira é a cidade com o menor PIB per capita do estado.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pires Ferreira tem apenas 1.018 pessoas ocupando postos de trabalho formais. Cerca de 60% da população tem rendimento mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Além da baixa renda, a cidade enfrenta problemas na infraestrutura. Apenas 1,24% dos domicílios estão ligados a algum sistema de esgotamento sanitário. Os dados, que são de 2023, também refletem que os moradores da cidade têm um menor acesso a bens e serviços.
Quais os gargalos e o que poderia melhorar?
Apesar de um bom desenvolvimento econômico nas últimas décadas no setor da produção ceramista de tijolos na região de Marruás, a cidade é carente de projetos mais ousados como estímulo à pequena e média indústria, artesanato e o foco em uma cultura agrícola extrativista ou que explore o potencial hídrico de grande parte do município banhado pela bacia do Acaraú e pelas águas do Açude Araras.
Outro ponto adormecido no município é a falta de vocação para o turismo. A cidade fica no sopé da Ibiapaba e possui, sobretudo durante a quadra invernosa, cachoeiras e riachos cristalinos. A Bica do Donato, por exemplo, é uma espécie de área turística carente de infraestrutura.
O município também é marcado por uma única via de acesso pavimentada. A estruturação de uma rodovia CE que interligasse Pires Ferreira à Reriutaba e Ipu, contornando a região ibiapabana, geraria mais condições para o fluxo da produção agrícola e iria dar condições aos projetos turísticos, como aqui citei.
O grupo familiar que controla a cidade poderia ser mais inovador
O professor Marcos Marques, prefeito de Pires Ferreira entre 2005 e 2012, seguido por suas noras que também foram prefeitas, Marfisa Aguiar que foi gestora de 2013 a 2020, e Lívia Muniz, que foi reeleita e tem mandato até 2028, controla politicamente a cidade ao lado dos seus filhos. A Família Marques, nas campanhas políticas, tem sido alvo de críticas por seus opositores em relação à posição da cidade como uma das mais pobres do estado do Ceará. Caminhando para quase 30 anos no poder, o grupo situacionista nitidamente se encontra numa "zona de conforto administrativo", não trazendo projetos ousados para os piresferreirenses.
Mas pelo visto, os opositores dos Marques ainda terão a não superação dessa realidade exposta pelos dados governamentais como pauta nos próximos embates eleitorais.


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