sábado, dezembro 19, 2020

A QUINTA ELEIÇÃO DO CLÃ FAMILIAR LIDERADO PELO PROFESSOR MARCOS MARQUES EM PIRES FERREIRA

Em 2004, o prefeito de Pires Ferreira, ex-distrito de Ipu e emancipado em 1988, era Francisco das Chagas Torres Júnior, o Torrim. Naquele ano, o então gestor dos piresferreirenses vivia seu apogeu político. Além de eleger sua esposa, Corrinha Torres, como prefeita de Ipu, Torrim emplacava como prefeito seu compadre e amigo Professor Marcos Marques. Menos de dois anos, em mais uma típica edição de criatura se rebelando como seu criador, o professor rompeu politicamente com Torrim e de lá até as últimas eleições exerce uma hegemonia política que agora caminha para 20 anos de poder. 

Nesse percurso, computando o pleito de 2004 o qual foi eleito ainda em meio ao poder político do seu compadre, já são contabilizadas cinco eleições em que o grupo político do Professor Marcos vence o já repetitivo embate contra seu ex-parceiro Torrim que desde 2008 tenta voltar ao poder.

Nessas quase duas décadas, o clã dos Marques ganhou mais poder de articulação com os casamentos dos seus filhos que fortaleceram a unidade familiar e agregaram capilaridade política com influência até fora dos domínios do município. O primogênito Pedro Humberto, recém eleito prefeito de Reriutaba, é casado com Marfisa Aguiar a qual geriu Pires Ferreira nos últimos oito anos. Marcos Paulo é casado com Lívia Muniz, neta do ex-prefeito Enoque Mororó e eleita prefeita neste ano de 2020.

Sabe-se que esse grupo político familiar tem forte respaldo junto as lideranças estaduais como o Senador Cid Gomes e o Governador Camilo Santana. Outro ponto que em muito fortaleceu a continuidade da ala situacionista de Pires Ferreira, foi a boa gestão da carismática prefeita Marfisa Aguiar sempre ladeada pelo bem articulado marido Pedro Humberto.

Excetuando os Ferreira Gomes em Sobral, o Professor Marcos Marques agora lidera o grupo político familiar com mais tempo de poder na região. 

Apesar de ter uma educação super premiada e o ganho de vários equipamentos públicos para sua comunidade nos últimos anos, a cidade de Pires Ferreira está entre os cinco municípios com menor renda per capita do estado. Portanto, existem grandes desafios para serem superados pelo poder municipal.

sexta-feira, dezembro 18, 2020

MINISTÉRIO PÚBLICO PEDE A CASSAÇÃO DO PREFEITO ELEITO JOSÉ SARTO (PDT)

O Ministério Público Eleitoral pediu à Justiça Eleitoral, nesta quinta-feira (17), a cassação dos registros de candidatura do prefeito eleito de Fortaleza, José Sarto Nogueira (PDT), e do vice, José Élcio Batista (PSB). De acordo com o MP Eleitoral, os então candidatos teriam sido beneficiados pela "prática de abuso de poder político e econômico e captação ilícita de sufrágio”.

Sarto Nogueira foi eleito prefeito de Fortaleza em 2020 com 51,69% dos votos válidos. No segundo turno do pleito, ele derrotou o candidato apoiado por Bolsonaro em Fortaleza, Capitão Wagner, que teve 48,31% dos votos válidos.

A assessoria da chapa eleitoral formada por Sarto Nogueira e Élcio Batista informou ao G1 que ainda não foi notificada e teve acesso ao conteúdo da ação. A defesa de ambos acrescentou que só deve se pronunciar após tomarem conhecimento das denúncias.

Além do prefeito e do vice-prefeito eleitos em Fortaleza, o Ministério Público também solicitou a cassação dos registros de candidatura ou dos diplomas de Lúcio Albuquerque Figueiredo Bruno, Marta Maria do Socorro Lima Barros Gonçalves e Francisco Albuquerque de Moura.

O órgão não divulgou com a justificativa que a investigação dos fatos tramita em segredo de justiça por possuir documentos sigilosos. Os membros do Ministério Público Eleitoral também solicitaram a aplicação da multa.

Fonte: G1

O "TERCEIRO MANDATO" DE SÉRGIO RUFINO

Na última quarta, 16, houve a diplomação extraoficial do terceiro mandato do prefeito Sérgio Rufino (PCdoB). A partir de 1º de Janeiro, hipocrisias e formalidades a parte, Sérgio deixa de ser o gestor oficial do município e passa a ser o prefeito de facto, enquanto seu sobrinho, Robério, fará apenas o papel formal de gestor protocolar e sem força de decisão política. Os 58% de cidadãos ipuenses que escolheram a chapa Robério-Antonieta, indiscutivelmente, votaram numa terceira gestão do "65". Nada diferente disso há que se esperar no quadriênio 2021-2024, nem para o mais displicente ou o mais consciente dos munícipes.

Nesse primeiro momento pós eleição, há um esforço formal, sobretudo na imprensa, redes sociais e discursos em inaugurações de obras, por parte da atual gestão em caracterizar que está acontecendo a transição para "um novo mandato” a partir de 2021. Tudo isso para evitar possíveis questionamentos junto ao Poder Judiciário sobre a existência de um ilegal terceiro mandato de Sérgio Rufino. Nesse sentido, o ainda prefeito tem sido alertado da necessidade de fazer relativas mudanças no secretariado do seu sobrinho, fechando de vez a ideia que é uma “nova administração”. 

UM DRIBLE NA INELEGIBILIDADE REFLEXA

Uma vez reeleito em 2016, já havíamos aqui cravado – tanto nesse Blog como em nossas participações radiofônicas, que a ideia do projeto de poder de Sérgio Rufino e o seu pragmatismo político em só confiar em familiares em cargos estratégicos, apontavam para a indicação de um sobrinho (a).  

Por que um sobrinho? As leis eleitorais do nosso país impendem a indicação de irmãos, filhos, noras e genros como candidatos em um mesmo município de um gestor já reeleito. Porém, sobrinhos são considerados parentes em terceiro grau e por isso não causam a inelegibilidade que é refletida em parentes de primeiro e segundo graus. 

Houve até a ventilação para que Sérgio Rufino renunciasse seis meses antes da eleições desse ano, e seu irmão Zeca Rufino, presidente da Câmara Municipal, assumisse a prefeitura e se candidatasse a reeleição. Porém, isso causaria instabilidade jurídica no percurso da campanha eleitoral podendo gerar uma cassação de chapa, pois não há jurisprudência nesse tipo de situação prevista nas resoluções do STE (Superior Tribunal Eleitoral).

O SOBRINHO PERFEITO

Robério Rufino era, até então, uma figura desconhecida no mundo político local, sendo também um pequeno comerciante com formação educacional básica. Porém, por ser um sobrinho sem vaidades, humilde, bom pai de família e um membro familiar não envolvido em polêmicas no cotidiano da cidade, Sérgio Rufino viu nele o estratégico candidato o qual, uma vez eleito, seria o prefeito obediente e fiel e que não teria luz própria no exercício do cargo ao ponto de lhe causar incômodos futuros.  

Para evitar maiores descontentamentos dentro do seu grupo político, o gestor "escondeu seu candidato" até o momento final das convenções, esperando também o 100% de certeza que a oposição partiria  dividida e sem estrutura econômica.

RELAÇÃO COM O PÚBLICO

O prefeito eleito ainda não é muito hábil com as palavras em público, algo que a liturgia do cargo sempre irá lhe exigir em vários eventos sócias e políticos em que não estarão presentes apenas seus apoiadores políticos. Por enquanto, seus discursos são simplórios e de agradecimento por ter sido eleito e que vai continuar a gestão do seu tio. 

A agenda de um chefe de Poder Executivo vai lhe exigir muito e diferentemente do seu tio, Zeca Rufino, que nunca fez um discurso à frente do Poder Legislativo em oito anos no comando dele, Robério não poderá deixar de representar uma cidade com mais de 40.000 habitantes mediante o protagonismo de outros prefeitos da região. Provocações que exigiam respostas a sociedade e audiências no Ministério Público, são momentos muitas das vezes tensos e inevitáveis para qualquer prefeito. 

Robério Rufino deverá ser visto com frequência  na sede da prefeitura ao lado do seu outro tio, Tião Rufino, o sempre "chefe de gabinete", em meio a necessidade da assinatura de documentos e o cumprimento de agenda. Mas nem sempre, os seus tios, Sérgio e Tião, poderão estarem ao seu lado falando ou intervindo por ele em situações formais ou até mesmo adversas. Mas nada que o cotidiano não ensine.

Uma coisa é irrefutável, mesmo sendo por força do seu sobrenome: Robério Rufino  já escreveu seu nome nos anais da História de Ipu, chegando a um posto que muitos políticos ipuenses almejam e outros muitos se dedicaram e não conseguiram. E isso é um fato bastante significativo, o qual deve ele ser zeloso nos próximos quatro anos na construção da sua biografia como mais um dos Prefeito da Terra de Iracema.

quinta-feira, dezembro 17, 2020

CAMILO SANTANA PRETENDE RETORNAR COM AS AULAS PRESENCIAIS EM FEVEREIRO

O retorno presencial às aulas em escolas públicas - interrompidas desde março deste ano - deve ocorrer em fevereiro de 2021, coincidindo com o início do novo ano letivo, de acordo com o governador Camilo Santana em entrevista ao Sistema Verdes Mares, na manhã desta quinta-feira (17). No entanto, segundo ele, também haverá o “direito a aulas remotas”.

“Vamos voltar a partir de fevereiro, mas garantindo que tenhamos aulas presenciais e aulas remotas. O decreto hoje autoriza todas as escolas, não só as privadas. Caberá também a cada prefeito, a cada município, fazer o seu planejamento”, declarou o chefe do executivo estadual. 

Segundo ele, o comitê científico do Governo do Estado vem percebendo que “outras áreas são mais preocupantes que a própria escola”. “O mundo inteiro está revendo isso. O que está gerando hoje um aumento no número de casos são festas e aglomerações, eventos que estamos restringindo”, afirma.  

Preparação

Camilo lembrou que, em preparação para diversos cenários na educação, o Estado iniciou a distribuição de chips de internet para mais de 340 mil alunos da rede estadual, permitindo que tenham acesso gratuito a aulas virtuais. Tablets também devem ser adquiridos, mas atualmente há “dificuldades na licitação”.

Ainda no planejamento do retorno, Camilo diz que vem defendendo a inclusão de professores nos grupos iniciais que receberão a vacina contra a Covid-19. Atualmente, a categoria está prevista na Fase 4 de imunização, mas o governador negocia a antecipação para a Fase 1 ou para a Fase 2, e diz que o Ministério da Saúde “ficou de avaliar”.

“Claro que vai depender muito da disponibilidade de vacinas que nós teremos a partir do início da imunização. Como se pretende voltar às aulas a partir de fevereiro, no início do ano letivo, a maioria das crianças é assintomática, então a presença do aluno com o professor pode transmitir o vírus”, explica.

(Diário do Nordeste)

BLOG DO KT COMENTA: Passadas as eleições com suas ações promíscuas em termos de medidas sanitárias, somente agora o Governador coloca a educação na pauta do dia, embora deixe claro que isso não é uma das suas grandes prioridades. 

E o que dizer dos prefeitos interioranos que não ousaram e se mostraram irresponsáveis com as perdas pedagógicas dos alunos da educação básica? Já não seria a hora do Prefeito Sergio Rufino em seu "Terceiro mandato" anunciar um plano de retorno? 

E as cidades interioranas que usam os números do Spaece como forma de propaganda por que não dão um passo inovador e deixam de ficar a reboque dos decretos governamentais? 

Não foi um ano fácil para os gestores público, disso sabemos. As soluções não eram tão fáceis para serem encontradas, mas muitos ficaram numa "zona de conforto" e não buscaram soluções próprias. 

Esse e outros temas serão analisados pelo professor Kléber Teixeira no próximo sábado, 19, a partir das 11h no Programa Política e Debate na FM Cidade de Ipu.

quarta-feira, dezembro 16, 2020

PROS e PODEMOS - DE OLHO EM 2022, OS MARTINS DE NONATO PROMOVEM CONFRATERNIZAÇÃO


Aconteceu ontem, 15, no Bar e Pizaria O Buriti de Ipu, um misto de confraternização natalina e encontro político entre os filiados do Pros/Podemos. Liderado pelo advogado Carlos Eduardo (Dr.Cadú) e por seu pai, o ex-vereador Nonato Martins, o grupo político que também conta com o edil reeleito Nonato Filho, celebrou o período natalino com seus filiados do PROS que se candidataram ao cargo de vereador nas últimas eleições. Excetuando Jonas Taumaturgo, "O Homem de Ferro", e o advogado Dr. Nogueira que já tinham compromissos pré-agendados, todos os demais ex-postulantes ao cargo de vereador marcaram presença. 

O radialista Hélio Lopes (Podemos) que pleiteou uma vaga de vice-prefeito nas últimas eleições como companheiro de chapa do Dr. Cadú (Pros), também esteve presente. 

O encontro natalino também faz parte de uma ação política do advogado Carlos Eduardo em manter coeso seus apoiadores para os próximos embates eleitorais.

DE OLHO EM 2022.

Apesar de um baixo desempenho eleitoral nas últimas eleições municipais de 2022 para prefeito, quando obteve 961 votos (3,9%), Dr. Cadú sabe que seu grupo político, também denominado de "Os Martins de Nonato", demarcou território em Ipu e segue fortemente alinhado com dois políticos de peso no estado: Deputado Federal Capitão Wagner (Pros) e o Senador Eduardo Girão (Podemos). 

Com um vereador na Câmara Municipal, uma rádio FM com forte audiência e uma agenda muito presente no cotidiano de Ipu, os Martins de Nonato devem, mais uma vez, protagonizar a liderança oposicionista ao clã dos Ferreira Gomes e ao governador Camilo Santana nas próximas eleições governamentais. 

É provável que desta feita, diferentemente de 2018 quando Nonato Marins ainda apoiou o governista Deputado Sérgio Aguiar(PDT), os filiados no Pros/Podemos fechem 100% com candidatos a Deputado oposicionistas ao atual governo estadual.  

Em 2018, Dr. Carlos Eduardo coordenou a boa votação do Deputado Federal Capitão Wagner em Ipu, o qual obteve 1.252 votos. 

terça-feira, dezembro 15, 2020

OS SIGNIFICADOS E PERSPECTIVAS APÓS A DERROTA DE DIEGO CARLOS EM 2020


Hoje completam 30 dias após a última eleição para prefeito de Ipu. E uma pergunta que não quer calar: Qual será o comportamento político do teórico líder de votos da oposição Diego Carlos? Vai fazer diferente dos últimos pleitos que protagonizou e ter uma agenda mais presente no cotidiano dos ipuenses? Será proativo nas articulações políticas junto a oposição? Ou, mais uma vez, só reaparecerá nas próximas eleições? 

O INÍCIO MAMBEMBE

Sabe-se que a candidatura de Diego pelo PDT só foi encorpada nos últimos dias do prazo final para as convenções partidárias, a qual seria em 16 de setembro numa quarta-feira. Antes disso, sua pré-candidatura que só se iniciou no final de julho, soava em tom amador, com poucas movimentações, tentativas de montar de última hora um programa de rádio e vendo seu grupo político desidratado e dividido em relação a sua competitiva eleição de 2016 quando perdeu para um já poderoso Sérgio Rufino, o qual já tentava a reeleição, por apenas 6,8% dos votos. Em meio as dificuldades, o mesmo garantia aos propensos postulantes de sua sigla a vereador que só entraria dessa vez “se fosse para ganhar”. Uma  testemunha ocular dos bastidores da campanha nos confessou: "É dele mesmo; Diego é muito desligado", "anda mal assessorado com pessoas que não entendem nada de campanha" e "se não fosse as pessoas voluntárias ajudando, nem evento político ele teria". 

AS INDEFINIÇÕES NAS ÚLTIMAS 48 HORAS ANTES DA CONVENÇÃO

Havia uma expectativa forte dentro do grupo de situação de que Diego fosse o Vice da chapa dos Rufinos, em meio a uma aliança de partidos governistas, PCdoB-PDT, com as bênçãos do Senador Cid Gomes. O prefeito Sergio Rufino (PCdoB) trabalhou nos últimos anos a cooptação de várias lideranças de oposição próxima aos Carlos para facilitar a aliança com o filho da ex-prefeita Toinha com vistas ao pleito municipal de 2020.

Enquanto o pré-candidato do PDT se reunia com caciques partidários nos gabinetes políticos de Fortaleza, no Ipu os boatos tomavam conta das ruas e redes sociais de que uma aliança dos Carlos com os Rufinos estaria sendo consolidada.  Correligionários dos Irmãos Rufinos e setores da mídia do seu grupo, já davam como certo que Diego voltaria da capital cearense como companheiro de chapa do candidato do PCdoB dos Irmãos Rufinos. Enquanto isso, desde a noite do dia 14, os pré-candidatos a vereador e correligionários pedetistas viviam momentos de angústia e expressavam a insegurança em grupos de Whatsap. 

A demora de um pronunciamento oficial de Diego, sedimentavam a desconfiança de uma possível decisão que contrariasse o eleitor de oposição. Algumas lideranças e influenciadores em redes sociais, diziam que jamais ele iria aderir a Família e Rufino e que, no máximo, poderia desistir da candidatura. 

A apreensão dos pedetistas ipuenses e fiéis correligionários do grupo Carlos/Rocha Aguiar só foi dissipada na noite do dia 15, após Diego Carlos divulgar um vídeo ao lado do seu padrinho político, Deputado Sergio Aguiar (PDT), confirmando sua candidatura e convidando os munícipes para a sua convenção na noite seguinte. 

DEFESA DO CAPITAL POLÍTICO 

Em síntese: a candidatura de Diego Carlos foi uma forma dele e sua mãe, Toinha, ao lado do Deputado Estadual Sergio Aguiar, manterem seu capital eleitoral em Ipu vivo para outras eleições e conchavos políticos. A tese defendida por Aguiar naqueles negociativos dias 14 e 15, venceu: não se podia deixar os votos de oposição (anti-Rufino) migrarem através do famoso efeito manada para a dupla de candidatos do PROS, Carlos Eduardo (Dr.Cadú) com seu vice Hélio Lopes. Outra realidade era que o PDT também buscava evitar o fortalecimento do candidato Flávio Alves (PDT) que era apoiado pelo ex-prefeito Sávio Pontes.  

A TERCEIRA DERROTA

Superadas essas indecisões, lá se foi o filho da grande líder vitorioso Zezé Carlos para uma terceira candidatura a prefeito de Ipu totalmente desarticulada, sem lideranças políticas consistentes lhe apoiando, sem estrutura econômica e desprovida de articulação política – não esqueçam que o vice (o odontólogo Júnior) da chapa foi um quase desconhecido amigo pessoal de Diego que coincidentemente estava filiado ao PDT. 

É inegável que a candidatura de Diego Carlos foi uma ação despretensiosa em termos de vitória. Um político ausente, sem discurso de oposição que se contrapusesse aos possíveis erros e omissões dos oito anos de gestão municipal e, em especial, sem logística de campanha, acabou sendo decisivo para Sérgio Rufino impor um dos seus sobrinhos (Robério Rufino) como candidato para dar continuidade ao seu comando político em Ipu.

Naturalmente, a candidatura de Diego Carlos foi se fortalecendo muito mais pelo ativismo político do empolgado eleitor de oposição, do que propriamente por uma consistente estratégia vitoriosa de campanha. "O voto útil" dentro da oposição foi travando as candidaturas também oposicionistas de Dr.Cadú (PROS) e Flávio Alves (PSD). Esse último até desistiu de sua candidatura ao Executivo e junto com todos os outros candidatos do PSD ao Legislativo, abandonaram o ex-prefeito Sávio Pontes, declarando apoio ao "12". 

O FIM DO APADRINHAMENTO DE SÁVIO PONTES

Diferentemente do que acontecera em 2012 e 2016 nas derrotas para o Clã dos Rufinos, essa foi a primeira eleição que Diego Carlos partiu sem a base de articulação do ex-prefeito Sávio Pontes, do qual nitidamente buscava desde o início se desvincilhar. Coincidência ou não, sem a articulação de Pontes, Diego sofreu uma sonora derrota com mais de 5.000 votos para o “65” de Sérgio Rufino. 

PERGUNTA COM UMA POSSÍVEL RESPOSTA

O filho de Toinha Carlos pode bater no peito e dizer que os 8.881 votos (36,91%) da oposição são seus?  Resposta Curta - Na prática, sua votação foi uma mescla de votos de oposição advindos também de outras corretes políticas do município. A maioria foram votos de rejeição ao projeto familiar de poder de Sergio Rufino e Irmãos e não, necessariamente, por que acreditavam numa futura "administração Diego Carlos". 

Para essa primeira pergunta, teremos, de certa forma, em 2022, uma espécie de prova dos nove. Guardadas as realidades diferentes dos pleitos, resta saber se o artificie da candidatura do PDT de Ipu em 2020, Deputado Sergio Aguiar, terá uma votação expressiva com base nesses 8.881 votos do “capital político” de Diego Carlos.  

PERGUNTAS AINDA SEM RESPOSTAS

Irá Diego Carlos em 2024 surgir, mais uma vez, como um candidato com as mesmas limitações desse ano, manchando a sua biografia e de sua família para uma temível e histórica quarta derrota eleitoral consecutiva?

Irá a Família Carlos continuar oficialmente resistindo aos assédios políticos do prefeito Sergio Rufino com a força econômica do seu grupo político?

Terá Diego um gesto de grandeza se surgir um candidato com mais reais condições, abrindo a cabeça de chapa para este e lhe dando total apoio para ver ser grupo voltar a vencer?

CERTEZA POLÍTICA

Polêmicas e questionamentos a parte, existe uma realidade que não podemos fugir. Se a oposição quiser um dia voltar ao poder, não desconsiderando outras variáveis políticas, precisará, imprescindivelmente, do apoio do núcleo Toinha-Diego-Marcelo. Até segunda ordem, eles são a base política do voto de oposição ipuense. Toinha (e Zezé Carlos) tem serviço prestado e ainda são referenciais do "voto dos apaixonados", Diego tem carisma e Marcelo (com seus irmãos) tem o poder de articulação política e força econômica. 

Porém, em qualquer situação, se faz necessário deixar de lado as vaidades políticas.

domingo, dezembro 13, 2020

ÁUDIO - CONFIRA EDIÇÃO DO PROGRAMA POLÍTICA EM DEBATE DE SÁBADO (12.12.2020)

Em mais uma edição do Programa Política em Debate na FM Cidade de Ipu, Rárisson Ramon e Kleber Teixeira analisam temas da política nacional e, em especial, da política ipuense.
TEMAS EM DESTAQUE:
A polêmica sucessão da presidência do Congresso Nacional e os interesses do presidente Jair Bolsonaro em eleger nomes de sua confiança.
Os efeitos da vacinação contra Covid e o aumento do custo de vida que podem comprometer a popularidade do presidente.
Como está a ação do MP e a Polícia Federal em meio as apreensões de objetos de candidatos a vereador pelo PCdoB em operação no dia anterior da eleição.
No tabuleiro das eleições para Deputado Estadual em Ipu, Bruno Pedrosa conquista adesões importantes e busca ocupar espaços na oposição. E como fica a candidatura de Sergio Aguiar? 
Passados um mês das eleições ipuenses qual o comportamento dos candidatos derrotados. 

Confira o áudio abaixo.

sábado, dezembro 12, 2020

GENÊSO MORORÓ E BRUNO PEDROSA FIRMAM ALIANÇA PARA 2022.

Quem pensa que a política partidária ipuense está em “off” se engana. Apesar de ter obtido expressivos 1.012 votos e ter sido o 9º mais bem votado, o Vereador Genêso não foi reeleito. Mesmo assim, o empresário está politicamente na ativa e, segundo ele, cuidando dos mais de 1.500 votos que seu grupo político obteve para o legislativo local. 

O vereador que tem ainda mandato até 31 de Dezembro, tem comunicado aos seus correligionários que estará firme e forte com o Deputado Estadual Bruno Pedrosa (PP) nas eleições de 2022. O edil confirma que não só ele, mas também os seus colegas de partidos nas eleições passadas (Perivaldo, Ronaldo e Original) estão fechados com o neto do saudoso cidadão ipuense Jessy Torquato. 

RUPTURA POLÍTICA - Genêso e sua cunhada a ex-vereadora Efigênia Mororó estão totalmente rompidos do ex-prefeito Sávio Pontes. A parceria política deles, a qual foi importante para a votação dos Deputados Domingos Neto (1.763 votos) e Patrícia Aguiar (1.258 votos) nas urnas ipuenses em 2018,  foi desfeita na caminhada eleitoral desse ano.  

Bruno Pedrosa obteve nas eleições estaduais passadas um total de 1.174 votos dos eleitores de Ipu, sendo o quarto mais bem votado. 

sexta-feira, dezembro 11, 2020

DESDE 2006 UM IPUENSE NÃO É ELEITO DEPUTADO ESTADUAL

Os últimos deputados estaduais ipuenses eleitos e com forte militância em sua cidade natal foram Sávio Pontes e Gomes Farias. Portanto, desde 2006 que o Ipu não elege um membro da Assembleia Legislativa. 

Passados quase um mês do pleito municipal, as movimentações políticas para a eleição de Deputado Estadual já começam a ganhar contornos em Ipu. Desta feita, temos um fato novo: o Prefeito Sergio Rufino (PCdoB) sairá candidato à Assembleia Legislativa estadual. 

Rufino trabalhou nas últimas eleições em várias cidades para criar uma estrutura com prefeitos eleitos em vários municípios. Apesar da derrota de sua esposa Ana Rufino em sua candidatura a prefeita de Apuiarés e a também perda da prefeitura de São Gonçalo governada por um cunhado seu, seu projeto continua sendo trabalhado. Acredita-se que existam outros três municípios de médio porte que os gestores estejam negociando com Sérgio para apoia-lo. 

No PCdoB, Sergio Rufino irá disputar espaço com os Deputados da sigla que buscarão a reeleição: Augusta Brito que foi eleita com 67.251 votos e Carlos Felipe que conquistou seu mandato com 35.898 votos. Normalmente, o partido comunista consegue duas cadeiras na casa legislativa. 

O ainda gestor oficial dos ipuenses, deverá fazer dobradinha especialmente com o Deputado Federal Denis Bezerra (PSB). Seu projeto político terá por base, logicamente, o Ipu com os 14.156 votos obtidos por seu sobrinho, Robério Rufino, eleito no pleito passado. Augusta Brito, candidata apoiada pelo grupo de situação nas últimas eleições municipais em 2018, obteve 8.093 votos.

quinta-feira, dezembro 10, 2020

EDUARDO GIRÃO PARA GOVERNADOR EM 2022 - UMA CANDIDATURA EM CONSTRUÇÃO.

O eleitor cearense, em sua maioria, considerando especialmente o seu comportamento nas últimas eleições majoritárias, tem um perfil de centro-esquerda. Nesse sentido, nas eleições governamentais de 2022, um candidato conservador e “taxado” como alinhado com a extrema direita bolsonarista terá dificuldades de ascender ao Poder Executivo do estado.

Capitão Wagner seria então o nome ideal para ser o candidato das oposições ao governo do Ceará? Apesar de ser um nome de vitrine, sobretudo após o seu heroico desempenho nas eleições para a prefeitura de Fortaleza quando o mesmo lutou contra um colossal poder financeiro e de máquina pública, o Deputado Federal do Pros teria dificuldades para penetrar nesse eleitorado de centro-esquerda o qual é mais incisivo nas áreas interioranas alencarinas. Wagner deve ser preservado para 2024 nas eleições municipais de Fortaleza e seguir com sua pavimentada reeleição para a Câmara Federal.

O Senador Eduardo Girão é no cenário atual o melhor nome nos quadros da oposição ao grupo dos Ferreira Gomes e o seu aliado Camilo Santana (PT). Além de ser desvinculado do conservadorismo dos militares com seus “capitães”, Girão tem carisma e grandes possibilidades de conquistar votos em seguimentos eleitorais identificados com o aqui citado perfil majoritário do eleitor cearense. O parlamentar do Podemos também não sacrificaria a sua legislatura, logicamente não descartando um não êxito em 2022, pois não precisaria se descompatibilizar dos seus oito anos de mandato senatorial.

O debate com vistas a 2022 já começou. As oposições partem em um cenário mais competitivo com cidades importantes (Caucaia, Maracanaú, Juazeiro....) que serão agora governadas por prefeitos desvinculados do grupo situacionista do governador Camilo Santana. Coloquemos também na conta o desejo de mudanças do eleitor fortalezense que deu 48% um não ao continuísmo dos Ferreira Gomes.

Sem Tasso Jereissati (PSDB) para atrapalhar as articulações (ou seria sabotar?) das oposições como assim fez em 2018, a tríade Girão-Wagner-Roberto Pessoa tem agora a tarefa de ampliar o arco de alianças e colocar na agenda grupos interessantes como o PMDB de Eunício Oliveira, o PSD de Domingos Filho com seus 28 prefeitos eleitos e o Solidariedade com o dúbio Heitor Ferrer.

segunda-feira, dezembro 07, 2020

CEARÁ - QUAL O PESO DAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS NA SUCESSÃO GOVERNAMENTAL DE 2022?


Passadas as eleições municipais de 2020 já é hora de projetarmos o peso das mesmas na próxima sucessão presidencial. Os extremos saíram derrotados. O PT, pela primeira vez desde a Nova República, não elegeu o prefeito de nenhuma capital e Jair Bolsonaro não conseguiu emplacar seus candidatos. 

O incompetente IBOPE, isso para não chamá-lo de leviano, foi decisivo para a derrota de Capitão Wagner (PROS) para José Sarto (PDT) no segundo turno das eleições em Fortaleza. 

Como fica o cenário para a sucessão de Camilo Santana em 2022? As oposições fortalecidas em cidades importantes terão o Senador Eduardo Girão como candidato contra o grupo dos Fgs? 

Confira também as últimas da política ipuense na parte final do vídeo/áudio.

sexta-feira, setembro 04, 2020

AFORA A MIM MESMO, UM ABRAÇO A QUEM ESTÁ PASSANDO POR AQUI

Depois de uma luta enorme, conseguimos recuperar nosso Blog. Grato ao grande profissional Fagner Freire pela atenção e suporte para voltarmos com nossa página.
Vamos aos poucos aqui postando nossos pontos de vista sobre a política de Ipu e região, bem como sobre outros assuntos que nos interessam. 
a
Nessa novo período do nosso blog, seremos mais confessional e extremamente despreocupados com a "audiência do mesmo". 
Nesse nosso hiato, concluímos que o meu blog fez mais falta a mim mesmo do que a qualquer outros. 
Sigo mais feliz que antes, mais realizado e menos frenético. 

terça-feira, dezembro 31, 2019

AS ÚLTIMAS DA POLÍTICA NACIONAL E DE IPU NESSE FINAL DE 2019

Confiram a minha participação na última edição de 2019 do Programa Política em Debate da FM Cidade de Ipu, apresentado por Rarison Ramon. 

sábado, agosto 03, 2019

Recomendo: FILME-DOCUMENTÁRIO SOBRE A RÚSSIA DOS ROMANOV

Assisti e aprovo essa série que traz como centro os últimos anos do Czar Nicolau II, último monarca russo, deposto pela Revolução Socialista de 1917. Como pano de fundo e um "prato cheio" para nós historiadores, a impecável produção da Netflix aborda o processo de crise iniciada em 1905, a influência do monge Gregori Rasputim sobre as decisões da família imperial e a instabilidade gerada pela 1ª guerra mundial.

CHICO ROCHA PARTIU E DEIXOU UM VAZIO NOS IPUENSES

Uma morte súbita tirou do nosso convívio Francisco de Assis Pinho Belém Rocha, popularmente conhecido como Chico Rocha. Gênio, culto, folclórico, carnavalesco, compositor, sonhador, empreendedor e "maluco beleza", Chico era uma simbiose de bons adjetivos que em cinco minutos de prosa fazia nos sentirmos bem.
Constantemente me deparava com ele as sextas e sábados no Bar do Flavinho aqui pelo Ipu. Com sua eloquência e carisma, Rocha andava ultimamente ora exaltando o Bolsonaro, ora (e sempre) divulgando uma mirabolante ideia para ganhar muito dinheiro. 

Vou guardar na lembrança com carinho quando o agora já nosso saudoso amigo era  candidato a Deputado Estadual em 1986, o qual com o seu carro de som de campanha, um Landau, infernizava os ouvidos dos ipuenses com uma voz feminina ("É  Claro que é Chico Rocha!") que respondia a uma lacônica pergunta sobre em quem ela votaria naquela eleição. Também vou guardar com carinho as suas constantes idas a Churrascaria o Teixeira nos anos 90, quase sempre acompanhado do empresário e grande amigo Flávio Melo, quando o mesmo pedia para que a Dona Cleonice caprichasse no "boi gordo". E, logicamente, não esquecendo da sua épica luta de boxe contra o Serjão no antigo Grêmio Ipuense, fato esse o qual participamos intensamente da "concentração" do então boxeador e ida do mesmo da nossa residência até o local do evento. 

O nosso agora saudoso Ipuense, o qual adorava entoar "caminhando com a solidão" do Beto Barbosa (uma das suas preferidas), deve estar em um outro plano dando boas risadas com seu eterno parceiro Serjão.

Segue uma postagem que fiz quando em mais uma das minhas conversas com Chico Rocha, o mesmo me mostrou mais um dos seus audaciosos projetos para sempre "ganhar muita grana dos gringos".  (Clique aqui)
Chico Rocha, um ser de Luz.

quinta-feira, agosto 01, 2019

MASSA CONCURSOS ABRE TURMAS PARA A SELEÇÃO DE PROFESSORES DA PREFEITURA

Depois de um 2018 com intensas atividades com turmas preparatórias para os concursos da SEDUC e da Prefeitura de Sobral para Assistente Social, Enfermeiros e Professores, o Massa Concursos em parceria com o Colégio Coração de Jesus retorna às suas atividades a partir de 15 de agosto.
Desta feita, o foco central será, mais uma vez, a seleção de professores temporários da Prefeitura de Sobral. Segundo o Presidente do Sindicato dos Servidores, Gilvan Azevedo, em declaração nas redes sociais, a seleção será para um contrato de 48 meses e não de 24 meses como o que está em vigência. 

O Massa Concursos está em atividades sazonais desde 2011, sendo sua equipe composta quase completamente por professores do Farias Brito Sobralense. Uma das marcas do Curso é a maciça aprovação nos concursos do magistério da prefeitura. 

quarta-feira, julho 31, 2019

“É IVO NESSA!” CONTRA A CANOA DOS RODRIGUES

Ivo Gomes e Moses Rodrigues

Alavancado após sua plausível administração em Sobral, Cid Gomes seria eleito Governador do Estado do Ceará em 2006. Contando com o aval do presidente Lula e também com um “apoio branco” do agora Senador Tasso Jereissati, o qual abandonou o candidato do PSDB, Lúcio Alcântara, que tentava a reeleição, Cid seria, portanto, o segundo Ferreira Gomes a comandar o executivo estadual. A não candidatura de Ciro Gomes a presidência da republica naquele ano, pavimentou um aliança com o PT de Lula que naquele momento era o maior cabo eleitoral no Nordeste.  
Em 2014, Cid, já depois de reeleito ao comando do Palácio da Abolição sem dificuldades, fez de Camilo Santana (PT) seu sucessor. 

Enquanto isso na Princesa do Norte uma nova liderança despontaria. Tipicamente burguesa e com um histórico de ascensão econômica por sua esplendida visão empresarial, a família Rodrigues liderada pelo empresário Oscar Rodrigues Júnior, ganhou força econômica e prestígio com as Faculdades Inta (depois Uninta), uma das maiores do interior do Nordeste com sede em Sobral. Em 2014, Moses Rodrigues, foi eleito Deputado Federal pelo PMDB, se projetando como uma referência na oposição ao clã dos “Irmãos FGs” e virtual candidato a Prefeito de Sobral em 2016. 
Diferentemente de muitos empresários locais que evitam qualquer embate com Cid Gomes, Oscar e filhos corajosamente ocupariam um espaço até então vazio na oposição e que não foi devidamente ocupado pelo ausente Dr. Guimarães após sua derrota. O grupo Uninta que tem sua sede administrativa localizada a margem direita do Rio Acaraú começou a cooptar edis, radialistas renomados e cabos eleitorais que "embarcavam na canoa" do iminente candidato Moses Rodrigues e passavam para a outra margem ribeira da política sobralense. 

Nas eleições municipais de 2016, o candidato Ivo Ferreira Gomes representaria a continuidade da hegemonia dos seus irmãos nas terras da Caiçara. Com o slogan “É Ivo Nessa!”, o irmão de Cid vinha de experiências administrativas como Secretário de Estado e Deputado Estadual. Carismático e com um discurso moderado, porém com tiradas sarcásticas que lhe são peculiares, o candidato tinha a seu favor o apoio da influência da máquina pública municipal e estadual. 
Alertados por pesquisas de consumo interno e mediante a “canoa” dos Rodrigues que de vez em quanto vinha para a outra margem do rio Acaraú embarcar um adesista de última hora, os Irmãos Ferreira Gomes acreditavam que, assim como nas eleições de 2012, a divisão da oposição seria imprescindível para uma nova vitória eleitoral. Mas quem poderia cumprir esse papel?
O mesmo Dr. Guimarães que em 2012 deu “um susto” no candidato Clodoveu Arruda, sairia novamente pleiteante ao executivo sobralense. Ficou patente, sobretudo depois da abertura das urnas que deram uma vitória com 51,4% dos votos para Ivo Gomes (PDT), que a divisão das oposições foi um fator importante para o não êxito da mesma, mais uma vez. 

Moses Rodrigues (PMDB) ficou com 40,1% dos votos numa demonstração também da força econômica advinda do poder empresarial da sua família. Outro fato que se repetiu, assim como em 2012, foi a que a votação urbana deu maioria para os votos da oposição.
Guimarães (PSDB), ao final com seus 8.917 votos (7,9%), acabaria por muitos correligionários dos Rodrigues, acusado de ter feito o habitual jogo estratégico dos astutos Ferreira Gomes em dividir a oposição e desidratar uma possível única referência como candidato de oposição. 

A ERA CID GOMES EM SOBRAL (1997-2004)

Cid Gomes e o Veveu Arruda

Cid Gomes iniciaria uma nova fase na história de Sobral, mesmo pertencendo a um clã familiar tradicional da cidade e tendo suas práticas políticas de apadrinhamento e clientelismo semelhantes às tão comuns politicas oligarcas interioranas, faria uma gestão inovadora e inegavelmente provocadora de um divisor de “o antes e o depois” da sua passagem pelo poder municipal. 
Mudando constantemente de sigla partidária e sendo a vitrine administrativa do seu irmão Ciro que se efetivaria nas décadas inicias do século XXI como um sempre candidato a presidência, Cid governaria com uma sólida base legislativa tendo o apoio quase unânime dos vereadores e o controle dos meios de comunicação da cidade, sobretudo do então importante meio radiofônico sobralense. Políticos ainda em projeção como o Padre José Linhares e rebeldes dentro do seu grupo partidário como o empresário e Deputado Sávio Pereira Pontes foram enquadrados. Desafetos como o combativo vereador Luciano Linhares, seriam neutralizados pelo novo status quo local. 
Sobral teve uma mudança radical em sua infraestrutura. A "Era Cid" mudou a cara da cidade com dezenas de obras de grande porte, com o importantíssimo tombamento do Centro Histórico de Sobral pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1999 e a montagem de equipamentos urbanos que otimizaram a máquina administrativa. A cultura e especialmente a educação ganharam uma atenção especial com projetos que se tornariam referência nacional.   

Em 2000, já com a permissão constitucional de reeleição para um segundo mandato, Cid, agora no PPS, foi reeleito sem dificuldades com 68% dos votos válidos. O candidato Marcos Prado (PFL), “o chocolate”, apesar de empolgantes comícios e músicas de campanha que relembravam as épicas eleições protagonizadas por seus familiares, não teve êxito em termos de votos ao buscar resgatar as paixões políticas da outrora vitoriosa Família Prado.

Cid sairia do poder em 2004, deixando o comando da prefeitura para os sempre confiáveis aliados Leônidas Cristino (2004- 2010) e Clodoveu Arruda (2010-2016). Este último, apesar de um histórico membro do PT sobralense, sempre esteve em primeira ordem com sua esposa Izolda Sela, incondicionalmente apoiando os Irmãos Ferreira Gomes. 
Diferentemente de Leônidas que fora reeleito em 2008 sendo praticamente candidato único, pois a oposição desarticulada não apresentou um tradicional candidato, “Veveu” Arruda, por sua vez, teve grandes dificuldades em 2012 para derrotar o abastado e quase desconhecido Dr. Guimarães. Para muitos, uma candidatura de última hora de Marcos Prado foi implicitamente fomentada pelos partidários de Cid Gomes para dividir a oposição. Veveu venceu com a aprovação de pouco mais da metade do povo sobralense (50,34% dos votos válidos). 


Texto escrito pelo Professor Kleber Teixeira Santos - 
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A ASCENSÃO DOS FERREIRA GOMES AO COMANDO DE SOBRAL

Cid Gomes

Fazendo valer a frase do escritor Lustosa da Costa de que “Sobral é uma terra de cenas fortes”, o ano de 1994 seria marcado por uma grave crise política com constantes mudanças de prefeito em meio a ações impetradas na justiça e tensas sessões no legislativo local. A gestão de Ricardo Barreto foi alvo de denúncias de corrupção vindas especialmente da Câmara Municipal, sendo o advogado e vereador Clodoveu Arruda um dos líderes dessa empreitada. A oposição a Ricardo Barreto se fortalecia com a aliança do Vice-Prefeito Aldenor Façanha Júnior com os irmãos Ferreira Gomes, não esquecendo de uma intensa campanha radiofônica contra e a favor do gestor que agitava a cidade. Por vários meses em meio às querelas judiciais nos tribunais, a cidade amanhecia com um prefeito e anoitecia com outro. Ricardo foi afastado do cargo pelos Vereadores da Câmara Municipal e Aldenor Junior concluiria o seu mandato até dezembro de 1996. 
Atribui-se a queda do Dr. Ricardo, considerando os vícios de membros do Poder Legislativo local e os equívocos do Poder Judiciário ainda fortemente lamentáveis e suscetíveis as influências políticas à época, muito mais pela influência dos Ferreira Gomes junto as órbitas governamentais e municipais, e bem menos pelas ações de improbidade administrativa em seus menos de dois anos de gestão. Correligionários do prefeito afastado acusavam o governador Ciro Gomes de ter montado no Palácio do Cambeba um QG com ações articuladas para tirar o poder do seu inimigo político em Sobral.    
Anos depois, a Justiça absolveu Ricardo Barreto. O Vereador Zezão (José Crisóstomo Barroso Ibiapina), personagem do legislativo também da época, também admitiu em uma sessão da Câmara que aquela querela ocorrida há mais de 25 anos atrás tinha sido todo “um esquema” armado e que ele – colocando uma mea-culpa – se arrependia de ter participado. A polêmica e corajosa declaração de Zezão - (testemunha ocular dos episódios e bastidores) em tribuna em uma sessão não foi contestada, inclusive por vários edis presentes e que também eram vereadores no biênio 1993-1994.  


Nas eleições de 1996, o Deputado Estadual Cid Gomes (PSDB) seria o candidato situacionista com o apoio do prefeito Aldenor Júnior e do governador Tasso Jereissati (PSDB) que tinha voltado ao cargo para um novo mandato. Ciro Gomes, por sua vez, após uma rápida passagem pelo Ministério da Fazenda durante a implantação do Plano Real em 1994 no governo do presidente Itamar Franco, era agora - mais do que antes em meio a uma projeção nacional que o habilitava como candidato a presidência - o grande cabo eleitoral do irmão. A implantação da Fábrica de calçados Grendene, a qual projetava mais de 20.000 empregos diretos e articulada por Ciro quando governador, era um sinal de uma proposta de gestão inovadora que faria de Sobral um polo de progresso interiorano. Cid teria como Vice Edilson Aragão do PT, numa bizarra demonstração que os teóricos e sempre contraditórios seguidores de Lula em Sobral beijavam “o altar” do PSDB para chegarem ao “santo” que era o estar no poder. 
Mas quem seria o candidato da oposição? 

Os Barretos e os Prados, enfraquecidos já sem o suporte do poder político estadual e também devido a uma nítida falta de renovação familiar consistente em seus quadros, não tinham mais forças para um embate eleitoral competitivo. Tomás Figueiredo, prefeito de Santa Quitéria e que tinha origem familiar em Sobral, lançou sua esposa, a Deputada Cândida Figueiredo (PDT), como candidata aproveitando o vácuo das oposições na terra de Dom José. O jovem Marcos Prado (PFL), por sua vez, filho de José Prado, faria uma candidatura - a primeira de várias outras em anos posteriores - vista para muitos com desconfiança, pois suas pretensões colaborariam para a desidratação da candidatura de Cândida (PDT) e do seu vice, o Padre José Linhares (PRB). 
Ao final, Cid seria eleito com estrondosos 63,9% dos votos. Os filhos do Dr. José Euclides Ferreira Gomes tendo sempre o seu filho primogênito como o articulador-mor iniciariam uma nova etapa na História política de Sobral. No epicentro desse processo está, indiscutivelmente, o poder dado por Tasso Jereissati a partir do final da década de 1980 aos seus aliados sobralenses.  


Texto escrito pelo Professor Kleber Teixeira Santos - 
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SOBRAL (1963-1994) - OS PRADOS E OS BARRETOS NO PODER

   
José Prado e Joaquim Barreto (O Quinca)
Advindos do meio agropecuário e comercial, os clãs políticos que comandariam Sobral durante a década de 1960 até o início dos anos 1990, protagonizariam empolgantes embates eleitorais por partidos conservadores e governistas (ARENA, PDS e PFL). Foram gestores do paço municipal nessa época: Cesário Barreto Lima (1963-67), Jerônimo Medeiros Prado (1967-71), Joaquim Barreto Lima (1971-73 e 1983-88), José Parente Prado (1973-77 e 1989-92) e Ricardo Barreto Dias (1993-1994). 
Lembramos que José Euclides Ferreira Gomes (1977-83) foi eleito prefeito com a indicação e apoio do então gestor José Prado, na famosa e folclórica campanha “De Zé pra Zé”. Euclides é pai de Ciro e Cid Gomes, os quais seriam posteriormente os algozes políticos dos Prados e Barretos na vida política partidária sobralense. 

Com a chegada de Tasso Jereissati ao governo do Ceará após as eleições de 1986 – o que significava também um momento propício para a renovação dos poderes políticos municipais favorecendo assim a destituição de grupos políticos interioranos como os Prados e Barretos. Esses clãs apesar de rivais eram atrelados ao agora derrotado “Governo dos Coronéis” (Virgílio Távora, Adauto Bezerra e César Cals). Os Irmãos Ferreira Gomes liderados pelo então Deputado Estadual Ciro Gomes, ganhariam projeção política em nível estadual o que seria prontamente refletido nas eleições municipais da Princesa do Norte. Indicado e apoiado por Tasso, Ciro seria eleito prefeito de Fortaleza em 1988 e em 1990, Governador do Estado. 
Uma vez fortalecido, Ciro com o suporte do governo estadual iniciaria seu projeto de controle político sobre a terra natal de sua família tendo inicialmente o PMDB como sigla e depois de 1990 o PSDB. 

Foi nesse contexto de ascensão do clã Ferreira Gomes que em 1988 um membro do tradicional clero sobralense, José Linhares Ponte, buscaria o poder na política local. A frente da Santa Casa de Misericórdia de Sobral e também advindo de famílias tradicionais, a candidatura a prefeito do “Padre Zé” (PMDB) seria teoricamente a primeira investida dos filhos de José Euclides Ferreira Gomes em busca de espaço no executivo municipal. O jovem Cid Ferreira Gomes seria o vice na chapa do sacerdote que também tinha o apoio do PMDB de Tasso Jereissati com seu plausível “Governo das Mudanças”. Esse cenário fez surgir uma aliança, para muitos até historicamente contraditória, entre os outrora históricos inimigos Prados e Barretos. Com menos de 4% de maioria dos votos válidos, venceu a chapa situacionista com o ex- prefeito José Prado (PFL) que tinha agora como vice Ricardo Barreto (PDS). 

Nas eleições de 1992 que um membro dos Gomes seria a cabeça de chapa. O médico Pimentel Gomes (PSDB), primo de Ciro e secretario de Estado em seu governo, tinha um cenário favorável à sua candidatura. Além do apoio do Governo Estadual, o candidato dos “Irmãos FGs” tinha o apoio do prefeito José Prado o qual tinha sido teoricamente cooptado pelo governador Ciro Gomes, reeditando assim, de certa forma, a aliança familiar de 1976 contra os Barretos.  
O carismático médico Ricardo Barreto (PDS) fora o nome ungido pela oposição para enfrentar a forte aliança Gomes-Prado. 
Para muitos, na véspera das eleições, Pimentel “dormiu prefeito eleito”, mas acordou como derrotado. Nas últimas horas antes do pleito, prevaleceu a militância dos cabos eleitorais pró-Ricardo Barreto na cooptação de eleitores, em especial, nos distritos e logradouros. Para outros, a derrota de Pimentel com a diferença de menos de 3% dos votos válidos foi também resultado da falta de empenho do prefeito José Prado. 
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PADRE PALHANO E O FIM DA "ERA MONTISTA" EM SOBRAL

Com a redemocratização do Brasil após o fim da ditadura varguista do Estado Novo (1937-45), as eleições municipais passariam a serem realizadas pelo voto direto em consonância com as determinações da Constituição liberal de 1946. Durante essa fase o poder político em Sobral teve como figura central Francisco de Almeida Monte, mesmo nunca ocupando o cargo de prefeito. O renomado e lendário “Coronel Chico Monte” fora deputado estadual e federal, tendo uma influência política regional e estadual, auge esse atingido no governo do seu genro, Parsilfal Barroso, que foi eleito governador do Estado do Ceará em 1959. Chico Monte faleceu em 1963 em Brasília quando exercia mandato de Deputado Federal.
Nas eleições municipais de 1958 a “Era Montista” sofreu um duro golpe. Uma figura excêntrica e progressista do clero sobralense, o Padre Jose Palhano de Saboia, foi eleito prefeito de Sobral pela UDN. Para por fim a hegemonia do Coronel Chico Monte evitando que este não elegesse um indicado seu, Palhano contou com o apoio do bispo Dom José Tupinambá da Frota que promoveria uma cruzada na defesa do seu protegido. 
Com o Golpe Civil-Militar de 1964, o Padre Palhano, na ocasião Deputado Federal, foi cassado e, de certa forma, somado aos atritos com o Bispo Dom Walfrido Vieira que também lhe rendeu até a suspensão das ordens sacerdotais, perde a força do seu poder regional e local. 
O Padre falece em 1982 e deixou como um dos seus legados a tradicional Radio Tupinambá, instituição privada e não vinculada a diocese. É nesse cenário que a cidade de Sobral assiste a ascensão e o revezamento de duas famílias tradicionais ao poder municipal: Prado e Barreto. 

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RECUPERAMOS O NOSSO DOMÍNIO E SENHA!

Depois de vários meses com problemas de acesso, vamos aos poucos retornando!

segunda-feira, outubro 15, 2018

RESULTADO DAS URNAS DE IPU NAS ELEIÇÕES DE 2018

Com 100% dos votos válidos  no município de Ipu (CE), veja os resultado abaixo onde é possível ver os candidatos mais bem votados no município de Ipu, durante as eleições desse domingo (07/10). 23.772 (70,60%) compareceram as urnas no município para votarem.   

Total de votos em Ipu / 33.673 votos
Apurado - 33.673 (100%,)
Abstenção - 9.901 (29,40%)
Comparecimento - 23.772 (70,60%)

Deputado estadual

Augusta Brito (PCdoB) - 8.093 (39,19%)
Sérgio Aguiar (PDT) - 4.267 (20,66%)
Patrícia Aguiar (PSD) - 1.258 (6,09%)
Bruno Pedrosa (PP) -  1.174 (5,68%)

Ipuenses
Pastor Cardoso (PNM) -  170 
Balacó (PATRIOTA) - * Não teve votos válidos

Deputado Federal

Dênis Bezerra (PSB) - 6.031 (28,49%)
Cabo Sabino (AVANTE) - 2.964 (14,00%)
Totonho Lopes (PDT) - 2.474 (11,69%)
Domingos Neto (PSD) - 1.763 (8,33%)
Capitão Wagner (PROS) - 1.252 (5,91%) 
Idilvan (PDT) - 1.222 (5,77%)

Senador 

Cid Gomes (PDT) - 17.007 (47,24%)
Eunício (MDB) - 9.144 (25,40%)
Eduardo Girão (PROS) - 5.558 (15,44%)
Dra Mayra (PSDB) - 2.125 (5,90%) 

Governador

Camilo Santana (PT) - 17.539 (89,48%)
General Theóphilo (PSDB) - 1.087 (5,55%)
Hélio Góis (PSL) - 870 (4,44%)
Ailton Lopes (PSOL) - 97 (0,49%)
Gonzaga (PSTU) - 8 (0,04%)

Presidente 

Ciro Gomes (PDT) - 11.718 (52,43%)
Fernando Haddad (PT) - 7.423 (33,21%)
Jair Bolsonaro (PSL) - 2.788 (12,47%) 
Fonte: Ipunoticias

sábado, agosto 11, 2018

SAIBA QUEM TEM CHANCES DE IR PARA O SEGUNDO TURNO NAS ELEIÇÕES DE 2018.

As eleições de 2018 já estão com seus candidatos definidos. Mas passados os solavancos deixados pela operação lava-jato, a prisão de Lula e a mediocridade econômica e política do Governo Temer, fica a pergunta: quem tem chances de ir para o segundo turno?
A história eleitoral do Brasil pós redemocratização e a conjuntura política-partidária que ainda impera dos grotões aos grandes centros urbanos, e aponta para uma eleição em que a ida para o segundo turno é uma tarefa difícil até mesmo para aqueles que tem musculatura partidária. 
Confira a análise política de Kléber Teixeira no programa Política em Debate apresentado por Rárison Ramon todos os sábados na FM Cidade de Ipu.