segunda-feira, novembro 22, 2021

PARLAMENTARES DO CEARÁ MANTÉM 217 MILHÕES DE REAIS PARA SEUS REDUTOS ELEITORAIS

A bancada do Ceará no Congresso Nacional viveu dias de negociação intensa que terminaram sem acordo. As conversas envolviam as emendas de bancada. No Congresso, cada parlamentar tem suas emendas, dinheiro para obras que eles decidem como serão aplicados. São uma poderosa moeda política de ponta a ponta. Servem para os parlamentares atenderem as bases eleitorais e conseguirem votos nos municípios. 

O governo controla a liberação das emendas e assim negocia apoio nas votações no Poder Legislativo. Uma mão lava a outra — e, a depender do uso, uma mão suja a outra também. Na teoria, as emendas de bancada são diferentes. Elas devem ser usadas para investimentos maiores, de maior impacto, e têm aplicação definida por pelo menos dois dos três senadores e três quartos dos deputados federais. Essas emendas existem para financiar prioridades inequívocas dos estados, acima de interesses pessoais e partidários. Foi aí que não houve entendimento.

O senador Cid Gomes (PDT) assumiu articulação para destinar essas emendas principalmente para o Hospital da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Universidade Federal do Ceará (UFC) e para a Prefeitura de Fortaleza e ficando uma "pequena parcela" para os Deputados distribuirem com seus prefeitos aliados. A oposição estadual, e vários governistas, não aceitaram. Sem o apoio necessário, não houve acordo. E aí começa a distorção. Foi feito o que muitos estados fazem e tem sido feito há alguns anos: as emendas de bancada foram fatiadas como se fossem emendas individuais. Cada parlamentar decide para onde enviar sua fatia. Na prática, engordaram as emendas individuais. Bom para todo mundo, menos para o povo.

As deveriam ser usadas como Cid Gomes queria ou de outra forma, ou seja, priorizando interesses da coletividade. O que acho errado é fatiar as emendas. Pulverizar o impacto para a população, de olho nos interesses e benefícios políticos individuais. Se não concordavam com aquele uso, que houvesse entendimento para fazer investimentos de vulto em outra coisa. Os legisladores do Ceará em Brasília serem capazes de entendimento mostra interesses pequenos.

(Com informações de O Povo online)

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